
No início da tarde da própria sexta-feira, Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, comunicou formalmente o investimento à presidente da República, Dilma Rousseff, em Brasília (DF). De acordo com a MAN, a empresa usará recursos próprios para financiar os aportes. “Trata-se da maior soma já anunciada pela MAN Latin America em seus 30 anos de existência”, disse Cortes em nota distribuída após o encontro com Dilma. (O período mencionado remonta ao início da operação de caminhões da Volkswagen no Brasil, em 1981, que foi comprada pela MAN no fim de 2008.)
Segundo informou o comunicado no site da empresa na Alemanha, caminhões pesados MAN com motorização acima de 400 cavalos, que serão lançados no mercado latino-americano a partir de janeiro de 2012, terão uma linha de produção própria em Resende, onde as operações industriais são feitas diretamente pelos fornecedores desde 1996. Além disso, os aportes também serão usados para desenvolver produtos em novos segmentos onde a MAN ainda não atua.
“Entre 1995 e 2011, tivemos três ciclos de grandes investimentos, totalizando R$ 3 bilhões. Agora, somaremos mais de R$ 1 bilhão a esse valor. Investiremos no desenvolvimento de uma nova geração de veículos, em novas motorizações e na pesquisa de tecnologias sustentáveis. Faremos ainda a prospecção de segmentos do mercado onde ainda não atuamos, e consolidaremos a marca MAN na América Latina”, descreve Cortes no comunicado.
“A MAN Latin America faz parte do Grupo MAN há três anos. O investimento é a continuação lógica do excelente desempenho dos negócios no Brasil, e será justificado pelo mercado que oferece grande potencial de crescimento”, declarou em nota oficial o CEO da MAN, Georg Pachta-Reyhofen.
Crescimento acelerado em Resende
A planta de Resende opera hoje com cerca de 7 mil colaboradores e tem capacidade para produzir 82 mil veículos/ano, entre caminhões de 5 a 57 toneladas e chassis de ônibus. O plano, segundo fontes ouvidas por Automotive Business, é elevar a capacidade para além das 100 mil unidades/ano e lançar modelos semileves acima de 3,5 toneladas, para dessa forma assegurar a liderança no mercado brasileiro de caminhões, onde a marca Volkswagen tem atualmente participação em torno de 30% das vendas totais.
A área total da empresa no sul fluminense vem sendo ampliada nos últimos anos. A MAN já contava com um terreno de 1 milhão de m2 em Resende para abrigar as oito empresas que formam o consórcio modular – processo em que cada uma atua diretamente na fabricação dos veículos. Uma área para testes fora-de-estrada, com mais 1 milhão de m2, está localizada em Barra Mansa (RJ). Este ano, a montadora adquiriu mais 1,5 milhão de m2 em Porto Real (RJ), cidade vizinha de Resende, para abrigar o futuro centro logístico de vendas e seu estoque.
Três fornecedores que já participam do consórcio modular, ArvinMeritor, Maxion e Suspensys, terão fábricas próprias ao lado da MAN em Resende – e outras empresas já estudam fazer o mesmo, para abrir espaço na fábrica com a transferência para outras áreas de processos de pré-montagem, logística e distribuição de peças. A terraplanagem do terreno de 100 mil m2 já foi iniciada para a preparação das construções prediais e as três empresas começam a operar a partir de junho de 2012.
Novidades na Fenatran
Na semana de 24 a 28 de outubro, durante a 18ª Fenatran, no Anhembi, a MAN apresenta suas novidades de sua linha de caminhões 2012 Volkswagen e MAN com tecnologia Euro 5. Os modelos extrapesados MAN made in Brazil já estão sendo produzidos em Resende, após passarem por diversas adaptações para as condições brasileiras.
Já os caminhões Volkswagen receberão pela primeira vez a motorização MAN, em produção no País pela MWM International. Novos motores Cummins complementam a oferta da nova tecnologia Euro 5, para atender os novos limites de emissões do Proconve P7, em vigor a partir de janeiro de 2012.
Também será apresentado na feira o andamento de pesquisas com combustíveis alternativos no Brasil, incluindo um Volkswagen Constellation híbrido, um caminhão MAN movido com a mistura diesel e etanol na proporção de 55% e o biodiesel de segunda geração Ultra Clean.
Assista à entrevista exclusiva com Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America: