
Ironicamente, a renovação acontece no momento em que a empresa anuncia investimento recorde no Brasil, de R$ 1,5 bilhão entre 2012 e 2021, para ampliar o portfólio de produtos, desenvolver novas tecnologias de conectividade e internacionalizar a marca Volkswagen Caminhões e Ônibus (leia aqui).
A medida pretende adequar a operação da companhia ao fraco desempenho do mercado brasileiro de caminhões e ônibus, que segue contraído. Roberto Cortes, presidente da empresa, confirma que a ociosidade gira em torno de 70% do potencial produtivo. A produção da planta de Resende, que chegou a 350 caminhões por dia no pico do mercado interno, em 2011, está hoje em apenas 80 veículos diários.
Esta é a segunda renovação do PPE feita pela MAN. A empresa aderiu ao programa em 2015 e prorrogou a medida seis meses depois. Antes disso, em 2014, a montadora chegou a fazer acordo de redução de jornada semelhante ao PPE com o sindicato local. “A gente vem reduzindo o nosso ritmo desde 2012”, admite Cortes.
Segundo ele, todos os cortes e reestruturações necessárias para a nova realidade do mercado local já foram feitos por meio de programas de demissão voluntária e antecipação de aposentadorias. O número de trabalhadores da unidade de Resende caiu de 6 mil pessoas em 2011 para 3,6 mil funcionários atualmente, considerando os colaboradores da montadora e dos fornecedores do consórcio modular da empresa.
Do recorde de 207 mil caminhões e ônibus vendidos no Brasil em 2011, a companhia estima que o mercado local despenque para 59 mil unidades este ano. Cortes projeta crescimento de dois dígitos em 2017. “Mas ainda assim vai ser para volume pequeno, perto de 65 mil veículos. A base é muito baixa”, enfatiza. Apenas em 2018 o executivo espera que aconteça recuperação mais consistente. Para ele, a volta ao pico de vendas só deve acontecer perto de 2021.
