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Giovanna Riato, AB
A indústria automobilística brasileira está perdendo competitividade. Apesar de o problema já ser alvo de constantes discussões, o governo ainda não sinalizou medidas capazes de reverter a situação. Neste cenário, as empresas fazem esforços internos para correr atrás do prejuízo. “É necessário olhar com mais cuidado para as nossas operações. Há oportunidades enormes”, destacou José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, durante o Simpósio Manufatura na Indústria Automobilística, promovido pela SAE Brasil nesta segunda-feira, 27, em São Paulo.
O especialista defende que a indústria não precisa esperar medidas governamentais. “Enxergo oportunidades significativas em todas as fábricas que visito. É possível atingir ganhos de 40% a 50% com a aplicação do sistema de manufatura lean”, avalia. Cerca de 65% dos custos embutidos em um carro correspondem à materiais, o restante inclui os processos produtivos e os impostos. Com um esforço global para reduzir o investimento em insumos, a indústria precisa buscar agora formas de enxugar os custos da manufatura.
Ferro aponta que, em 1990, com o mercado ainda fechado, o Brasil apresentava os piores índices de produtividade. Desde então, as melhorias são consideráveis “mas o País não pode sair do último lugar para simplesmente ficar na média”, defende. Para ele, as empresas não devem buscar pequenas mudanças, mas manter o foco em ter a melhor operação possível.
O sócio-diretor da Logic Consultoria, Adolfo Savelli, atestou que a corrida pelo avanço da produtividade é global. O executivo, que já trabalhou na China, conta que o país asiático mira em dois itens essenciais para enfrentar os desafios do crescimento. Em primeiro lugar está a infraestrutura, com expansão das estradas, ferrovias, portos e aeroportos. A segunda preocupação é garantir mão de obra com formação técnica e custos competitivos.
Enquanto isso, o Brasil lida com a escassez de engenheiros e a elevação dos custos trabalhistas. “Não seremos competitivos sem um perfeito alinhamento com os sindicatos”, acredita Vagner Galeote, presidente da SAE Brasil. Para ele, garantir a produtividade é interesse de todos os brasileiros, já que os trabalhadores também perdem oportunidades com o aumento da importação de veículos.
O executivo aponta ainda que o índice de desperdício e a falta de qualidade continuam sendo problemas. Segundo ele, a única forma de voltar a um caminho competitivo é aumentar a produtividade por funcionário, com investimento em tecnologia e automatização dos processos.
Corrida chinesa
Na opinião de Savelli, da Logic, o melhor exemplo dos chineses é a eficiência na execução. “Eles reconhecem estão longe da excelência de qualidade mas não podemos duvidar de que eles chegarão lá”, diz.
O sucesso, no entanto, ainda não está garantido para as empresas do País asiático. Ferro, do Lean Institute, lembra que o Japão e a Coreia também passaram por forte crescimento há alguns anos. “Restaram poucas empresas deste boom, como as japonesas Toyota e Honda e as coreanas Kia e Hyundai, que pertencem ao mesmo grupo”, diz. O especialista acredita que a China deve seguir o mesmo caminho.
Assista às entrevistas exclusivas com José Roberto Ferro, do Lean Institute Brasil, e Vagner Galeote, da SAE Brasil, logo abaixo:
