
A Hino Motors, marca de caminhões controlada pela Toyota, suspenderá as exportações de caminhões leves. O motivo está relacionado ao escândalo de fraudes nos dados de testes de combustíveis e emissões de poluentes, que também engloba modelos desta categoria.
Satoshi Ogiso, presidente da Hino, revelou que uma investigação realizada pelo Ministério dos Transportes descobriu irregularidades em mais de 76 mil veículos.
Fraudes em emissões já atingem 640 mil caminhões
Inicialmente, a fabricante afirmou que o problema não teria impacto nos caminhões leves, que são vendidos desde 2019. Após o anúncio, as ações da Hino despencaram 3,5% na segunda-feira, 22. A Toyota possui 50,1% da Hino.
A estimativa é que 76.694 veículos do caminhão leve Dutro estejam envolvidos, fazendo com que o número total de unidades no escândalo de emissões de poluentes passe dos 640 mil veículos. A fabricante disse que, embora cada motor deveria ter sido testado ao menos duas vezes, apenas um teste foi realizado.
Impacto nas exportações
Segundo informações da agência de notícias Reuters, a decisão de interromper as exportações representará a suspensão de 60% de todo o volume de vendas externas previstas para este ano. De acordo com um porta-voz da Hino, o Dutro, modelo de 1,5 tonelada seguirá sendo exportado, uma vez que a Toyota é responsável pela produção dos motores deste modelo.
Ogiso afirmou que a fabricante investiga quais foram os impactos desta nova descoberta, mas ressaltou que não foram encontrados indícios de excedentes nos limites de emissões de poluentes.
“Como fabricante de veículos, é extremamente necessário para nós chegar a um entendimento preciso das regras e regulamentações para lançar um novo produto. Expliquei que (a conduta equivocada) não foi algo intencional”, declarou Satoshi Ogiso, presidente da Hino.
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O executivo também classificou como “indefensável” o fato de o problema ter sido descoberto pelo Ministério dos Transportes, sendo que a própria Hino realizava investigações para descobrir eventuais falhas na conduta da empresa.
Entenda o caso
A Hino encomendou uma investigação interna após descobrir a falsificação de dados de emissões de poluentes em alguns motores aplicados em seus caminhões. Posteriormente foi apontado que essa prática vinha acontecendo desde 2003, mais de uma década antes das suspeitas iniciais.
A empresa disse que a cultura corporativa teria intimidado empregados a contestarem ordens antiéticas dadas por superiores, em um raro caso de condenação dos próprios costumes japoneses, que adotam uma hierarquia bastante rígida e normalmente vetam qualquer tipo de questionamento à chefia.
Segundo a Hino, esse conjunto de posturas empresariais resultou em um ambiente no qual atingir metas a todo custo era mais importante do que seguir processos.
Antes da descoberta, a fabricante chegou a afirmar ao Ministério do Transporte do Japão que não havia detectado qualquer tipo de incidente ou conduta equivocada nos dados de emissões de poluentes.
Devido às fraudes nos caminhões, a Toyota e a Hino foram processadas nos Estados Unidos recentemente.
