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Por que marcas do setor automotivo investem cada vez mais no Rock in Rio?

Se eu tivesse entrado em coma naquele terreno lamacento depois de assistir ao vivo Fred Mercury cantar “Love of My Life” com o Queen e para uma plateia em êxtase no primeiro Rock in Rio e acordasse na edição 2024 do festival qual o primeiro susto que teria? 
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FernandoMiragaya

13 set 2024

6 minutos de leitura

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Estande da Volkswagen no Rock in Rio 2024: marca tem parceria de quase 15 anos com festival

Noves fora a tecnologia que salta aos olhos, provavelmente o fato de que hoje o evento vai muito além de um espetáculo musical. É um show de entretenimento, marketing, experiências e as tais ativações das marcas, com investimento cada vez maior de empresas do setor automotivo.


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Basta ver ao lado do Palco Mundo. Estandes gigantescos de empresas disputam a atenção dos espectadores. Promoções, brindes, espaços instagramáveis… Vale tudo para reforçar, repercutir e engajar a marca no Rock in Rio, cuja nova temporada começa nesta sexta, 13, na zona oeste carioca.

Prova disso foi o evento teste do festival, que aconteceu dois dias antes. Mesmo com um público seleto de sócios do Rock in Rio Clube, convidados, jornalistas e influenciadores, as filas já se formavam nos espaços das marcas.

Em especial, duas empresas do setor automotivo chamam a atenção pela diversidade de ações e a evolução nas estratégias durante o evento. Volkswagen e Ipiranga, patrocinadoras tradicionais e figurinhas conhecidas na Cidade do Rock.

Em ambos os casos, a estratégia no Rock in Rio é meio que “comum”: conectar pessoas – leia-se, potenciais, atuais ou futuros consumidores.

“É a quinta vez que patrocinamos o festival e é uma ativação importante. A música conecta pessoas, todo mundo gosta de alguma música. Temos a possibilidade de nos conectarmos com as pessoas, independentemente do estilo”, diz Ciro Possobom, CEO da Volkswagen.

“São dez anos de entretenimento no Rock in Rio que a marca já proporciona. Queremos falar de produto, de rendimento, mas também conectar com pessoas associando a marca ao território de mobilidade”, destaca Bárbara Miranda, vice-presidente de marketing e desenvolvimento de negócios da Ipiranga.

Primeira ‘aparição’ de SUV inédito

A Volks, por exemplo, está no Rock in Rio há 15 anos – com uma pausa na edição de 2019, quando a Ford patrocinou o festival. Só aquele coma que citei, se fosse do evento de 2022 para cá já valeria um susto em relação à postura da fabricante alemã.

A empresa percebeu o alcance do espetáculo para além dos muros da Cidade do Rock. Tanto que reservou cinco ativações dentro do Parque Olímpico carioca e saiu do conservadorismo de só mostrar carros clássicos, modelos manjados ou elétricos que atuam em nichos de mercado.


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A marca ousou ao escolher o Rock in Rio para começar a divulgar seu próximo grande lançamento: o SUV compacto que será seu crossover mais barato no país e cuja estreia está prevista para o primeiro semestre de 2025.

Obviamente o carro não está exposto de forma explícita, mas gera curiosidade. Fica dentro de uma caixa cheia de pontos de LEDs que permitem aos curiosos enxergarem a silhueta e detalhes de rodas, faróis e lanternas

“Vamos falar do SUV em um momento estratégico importante e que vai reverberar no mercado”, aposta Roger Corassa, vice-presidente de vendas da montadora.

Queda de braço chegou à matriz da Volks

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Comunicação do inédito SUV compacto da Volks começa no Rock in Rio

Nos bastidores, comenta-se que levar o carro foi uma guerra interna. Segundo fontes, departamentos dentro da Volks não queriam que o SUV fosse “ativado”. Medo de a concorrência ter informações antecipadas e de potenciais compradores da marca adiarem uma compra até a chegada do modelo.

A disputa teria chegado, inclusive, à matriz. A turma do marketing e da comunicação venceu a batalha e teve três semanas para preparar o carro e o estande para recebê-lo. 

Provavelmente, argumentou com números para garantir a estratégia da marca no Rock in Rio. Só nos sete dias de festival, a Volks estima em 700 mil pessoas impactadas no lado de dentro do festival. 

O alcance externo é ainda maior, graças à repercussão em redes sociais, mídia espontânea e transmissão no canal Multishow. Facilmente chega a dezenas de milhões, embora a VW considere estratégico tais números e não os divulgue.

“Não é uma revelação do carro, mas uma afirmação. Começamos a dar sinais, a comunicar para o mercado que em 2025 vamos carimbar mais um carro forte dentro do segmento”, avisa Corassa.

Ipiranga aposta na mobilidade desde a venda de ingressos

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Ipiranga promoverá diferentes ativações com o público e networking com a rede de revendedores

Na Ipiranga, a estratégia foi no conceito de mobilidade, dentro do reposicionamento recente adotado pela empresa e iniciado em 2023. A companhia distribuidora tentou passar essa ideia meses antes do festival.

Além de sorteios de bilhetes para o Rock in Rio, a marca disponibilizou a compra de ingressos em seu aplicativo KMV. Também permitiu a troca de pontos para usar o transfer da Ipiranga – serão 10 ônibus exclusivos da empresa para fazer o trajeto até a Cidade do Rock.

“É um movimento que tangibiliza o propósito. Na hora que começa a fazer isso dentro de um ambiente de festival, conseguimos entregar a mobilidade”, explica Bárbara Miranda.

“Em nenhum momento estamos falando de combustível. Mas como apoiamos as pessoas para chegarem do ponto A para o ponto B”, completa Rafaella Gobara, diretora de marketing da Ipiranga.

Mas, evidentemente, o Rock in Rio também é um ótimo lugar para estreitar laços com o cliente final e parceiros. Na área VIP, muitos revendedores estarão entre os convidados.

Já as ativações com o público – entre elas, a possibilidade de gravar um vídeo que será exibido em um telão na parte externa do estande – geram um fluxo natural para os postos de combustíveis, segundo a Ipiranga. Tanto no pré-festival, com os sorteios e promoções, e depois, com a fixação e exposição da marca.

Na edição 2022 do Rock in Rio, só a Ipiranga teve 293 conteúdos publicados em tempo real nas suas redes sociais. O alcance total das postagens foi de mais de 11 milhões de usuários impactados e 37,4 milhões de impressões, apenas nos canais digitais da marca.

Pois é, se eu tivesse entrado em coma naquele verão de 1985 e só acordasse agora, me assustaria não só com essa overdose de engajamento e redes sociais. Mas também com tais números.