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Fernando Calmon, especial para AB de Detroit
Fiel ao seu estilo direto e peculiar nas respostas, Sergio Marchionne, principal executivo da Fiat e da Chrysler, admitiu que a fábrica de Toluca, no México, ainda não começou a produzir o Fiat 500 com câmbio automático, versão fundamental para a comercialização nos EUA.
Câmbios automatizados desagradam aos americanos. Assim, a Fiat procurou a japonesa Aisin para fornecer o automático convencional de seis marchas com conversor de torque. Só em março próximo estará disponível e, portanto, trata-se de uma pequena falha de planejamento.
Havia apenas alguns jornalistas brasileiros, sul-coreanos e japoneses na sala do Cobo Center, em Detroit, nessa entrevista “regional”. Como os câmbios manuais ainda têm boa aceitação aqui, era natural perguntar quando o carro chegaria ao Brasil. Afinal, vindo do México sem imposto de importação, pode-se projetar uma queda de no mínimo 20% no preço do modelo hoje importado da Polônia.
“Eu quero o 500 mexicano agora no Brasil”, disparou.
Dá para entender a sua pressa, mas os representantes da Fiat brasileira também se apressaram em explicar que antes de meados deste ano não seria possível. Marchionne usou o termo agora, no lugar de em breve…
“Também vamos exportar o 500 para a China”, afirmou. Esse objetivo, até aquele momento, era desconhecido.
Provavelmente, a Fiat admite dificuldades para ocupar a capacidade de 100.000 unidades/ano da planta mexicana. A previsão é de vender 50% na América do Norte e 50% na Américas Central e do Sul.
Entretanto, as vendas em 2010 no mercado brasileiro (70% da região sul-americana) alcançaram apenas cerca de 1.200 unidades. Mesmo se o preço da versão de entrada baixar para menos de R$ 50.000,00 (hoje, R$ 60.000,00), chegar a 35.000 carros/ano parece um objetivo bastante otimista, talvez inalcançável. China seria a alternativa.
Marchionne declarou, posteriormente, não almejar “conquistar o mercado americano com o Fiat 500 e sim atuar em áreas específicas”. Nos planos de Toluca estão as versões conversível, Abarth e elétrica, além de uma de cinco portas cujo esboço já apareceu em publicações europeias.
Fontes da filial brasileira confiam que o 500 de cinco portas poderia aumentar o interesse no modelo aqui, por disponibilizar mais espaço interno.
A Fiat saiu dos EUA em 1983 por problemas de qualidade. Agora, além do retorno da marca, o grupo confia que a Alfa Romeo, a partir de 2012, poderá conseguir resultados melhores. A rede de concessionárias Chrysler, tanto nos EUA como no México (onde o 500 também enfrenta dificuldades), responderá pela comercialização e assistência do subcompacto.
Foto: Fiat 500.