
Para o presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, o consumidor americano já está reavaliando seu modelo tradicional de veículo, empurrado pela preocupação com os custos de manutenção e do combustível. A oscilação do poder de compra por conta da crise econômica e do nível de desemprego também colabora para a mudança de conceitos.
“Há um nítido avanço na oferta de veículos mais compactos e eficientes em consumo de combustível para atender essa tendência. Isso não significa que o americano vai parar de comprar picapes e utilitários esportivos, mas vai comprar menos esses produtos. As famílias, hoje com menos filhos, começam a procurar veículos menores”, garante.
O interesse da Ford no crescimento do mercado de veículos compactos ficou evidente no Salão de Detroit, de 14 a 24 de janeiro. A nova geração do Focus foi a estrela no estande da marca, tanto na versão hatchback como sedã, e o Novo Fiesta, que terá motor Sigma brasileiro, tornou-se uma aposta importante.
Pequenos e médios
Oliveira entende que a preocupação com o preço do petróleo, que tende a aumentar, força a modificação no comportamento do consumidor em todo o planeta. “Se a gente projetar isso, no Brasil vamos continuar vendendo carros pequenos”.
O executivo justifica que o perfil demográfico da família brasileira mudou, com famílias menores e em ascensão das classes D e E para a classe C. Essa parcela da população passa a ser cliente potencial para veículos de entrada, compactos, enquanto acontece uma migração na classe média em direção a veículos médios, um pouco maiores e mais bem equipados.
Ele adverte, porém, que não haverá um movimento importante para a aquisição de veículos grandes: “Há pouco espaço nas áreas urbanas e as famílias das classes mais altas são pequenas.”
O presidente da Ford estima que há muito espaço para avanço no volume de vendas no Brasil. “Enquanto nos Estados Unidos a relação é de um pouco mais de um habitante por veículo, no Brasil é de sete para um. “Há muito crescimento pela frente até chegarmos à densidade do mercado americano.”
Combustíveis
Quanto a novas matrizes energéticas, a Ford tem investido em todas as tecnologias que têm potencial de crescimento, segundo Oliveira: “Nos Estados Unidos, temos know-how em produtos flexíveis (E85, com 85% de etanol) e híbridos. Anunciamos o lançamento de veículos elétricos e continuamos investindo em novas tecnologias.”
O executivo destaca que a Ford está posicionada em todos os segmentos e tornou-se uma das líderes em veículos híbridos. No Brasil ele acredita que a tecnologia flexível continuará sendo importante por muito tempo, especialmente pela nossa capacidade de produzir e distribuir etanol a baixo custo, graças à infraestrutura disponível. O mesmo não acontece nos Estados Unidos, onde o álcool ainda está disponível em poucos postos.
Sobre híbridos e elétricos, Oliveira argumenta que a tecnologia ainda é cara e vai demorar um pouco para tornar-se acessível a ponto de justificar investimentos por aqui. Quanto ao cenário global, ele avalia que o elétrico tem autonomia baixa, custo alto de bateria e vai demorar um pouco mais para acontecer.
“A tendência será a coexistência de motor a combustão e elétrico nos modelos híbridos. Quando as baterias tiverem mais autonomia ou as células de hidrogênio se tornarem viáveis, haverá mais elétricos”, analisa.
Na opinião do presidente da Ford a tecnologia do motor do automóvel é importante, mas a distribuição de energia assume papel decisivo nas tendências. No caso do motor a combustão ele avalia que o etanol pode crescer mais no mercado americano como componente da gasolina do que como único combustível. “Talvez essa seja a alternativa mais viável para diminuir a dependência do petróleo”, finaliza.