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Marelli já comanda a TCA em Pernambuco

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24 mar 2011

4 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB

No fim do ano passado o Grupo Fiat entregou as chaves da fábrica de chicotes TCA, em Jaboatão dos Guararapes (PE), à sua empresa fabricante de autopeças e sistemas automotivos, a Magneti Marelli. É a primeira vez que a sistemista entra no negócio de arquitetura de distribuição elétrica automotiva, pois nenhuma outra unidade da companhia no mundo produz chicotes.

“É um periférico importante para outros sistemas que fabricamos”, conta Virgilio Cerutti, presidente da Magneti Marelli no Mercosul. “Como já fazemos paineis de plástico em Minas Gerais (unidade comprada da Plásticos Mueller em 2009) e boa parte dos instrumentos integrados, poderemos no futuro oferecer aos nossos clientes o sistema completo, já montado com o chicote”, explica.

Antes disso, no entanto, Cerutti admite que o objetivo inicial é aumentar as vendas de chicotes feitos em Pernambuco e devolver rentabilidade à unidade. Atualmente a fábrica opera em apenas um turno de oito horas, com 350 empregados, e só fornece para um cliente, a Volkswagen – que usa o chicote da TCA em um modelo antigo, o Gol geração 4, que tende a sair de linha nos próximos anos.

Assim a meta é conquistar mais clientes, incluindo outros modelos da própria Volkswagen. “Já conversamos sobre essa possibilidade. Além da própria Fiat, a Volkswagen é um de nossos maiores clientes em outros produtos e vê com bons olhos o surgimento de mais um fornecedor de chicotes no mercado brasileiro, pois todos precisam do produto para aumentar a produção”, diz Cerutti.

O maior fornecedor do produto no País é a Delphi, que tem três fábricas de chicotes no Brasil e agora deverá ganhar um concorrente de peso no segmento. Mas isso não significa que a Delphi e outros fabricantes do componente perderão clientes aqui, pois atualmente todas as linhas de sistemas de distribuição elétrica estão operando no limite da capacidade. Com o aumento da produção de veículos abre-se espaço para novos players no setor.

Claro que a própria fábrica de automóveis que a Fiat pretende inaugurar em 2013 bem ao lado de Jaboatão, no complexo industrial de Suape, também deverá ser um cliente de peso para os chicotes da Magneti Marelli, ou mesmo para os paineis completos citados por Cerutti.

Para comandar sua fábrica pernambucana a Marelli contratou um especialista no setor, João Carlos Godinho, que era CEO da Cablelettra – outro fornecedor concorrente de chicotes – e trabalhou também na Delphi. Godinho assumiu seu posto em Jaboatão só no fim de fevereiro passado.

Incentivos e retomada

A TCA opera em Pernambuco desde 1960 e pertencia ao grupo argentino Pescarmona. Há pouco mais de um ano o Grupo Fiat comprou silenciosamente a unidade e deixou a operação seguir sem nenhuma intervenção. “A fábrica tem um pacote interessante de incentivos fiscais do Estado que nos interessou”, confidenciou alguns meses atrás Cledorvino Belini, presidente da Fiat na América Latina.

Esses incentivos serão também aproveitados pela nova fábrica da Fiat em Suape, mas o novo controlador da TCA só decidiu assumir os negócios locais depois de amarrar todo o pacote de isenções fiscais de que gozará na região, incluindo generosos abatimentos em impostos federais, em um acerto que só foi concluído no fim de dezembro passado, quando o negócio foi anunciado.

Agora, além de se aproveitar dos incentivos, a Fiat, via Magneti Marelli, também pretende fazer a operação de chicotes voltar a ser lucrativa. Segundo informações publicadas pelo Jornal do Commercio, em 2010 a TCA registrou prejuízo de R$ 23,4 milhões, e um ano antes as perdas foram de R$ 11,6 milhões.

A fábrica da TCA já foi operou em três turnos com 2 mil empregados – hoje são apenas 350 em um turno. Esse quadro poderá crescer brevemente se a produção decolar como pretende a Marelli. “A produção de chicotes é muito manual, não dá para automatizar, por isso precisa de muitas pessoas na linha”, diz Cerutti, que já visitou Jaboatão várias vezes nos últimos meses e vem mantendo conversas constantes com empresários e autoridades locais. Segundo contou Belini, há também bastante espaço para aumentar a capacidade sem necessidade de obras civis, pois a unidade tem muitas áreas vazias atualmente.

Foto: Virgilio Cerutti, presidente da Magneti Marelli no Mercosul.