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Mary Barra: como a primeira mulher CEO transformou a liderança da GM

Executiva de Detroit conta como começou sua carreira e moldou seu estilo de liderança focado em inovação e pessoas

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Redação AB

01 set 2026

4 minutos de leitura

Décadas antes de assumir o comando da General Motors, Mary Barra cresceu em Detroit, nos Estados Unidos, cidade historicamente ligada à indústria automobilística e sede da montadora.

Sua ligação com a GM começou através do pai, que por anos trabalhou na fabricação de moldes, na estamparia. Ele entrou na empresa como aprendiz e se tornou um profissional qualificado.

Anos depois, Mary Barra cursou engenharia e ingressou na GM como estagiária. Passou por engenharia, compras e manufatura. “Eu gostei de estar na linha de montagem, gostei da energia de estar ali produzindo. E foi um pouco como prestar homenagem ao meu pai”, contou ela ao podcast Hoover Institution, de Stanford.

A mãe sempre lhe ensinou que a educação era o caminho certo e que ela sempre deveria ir atrás de seus objetivos. A formação em negócios em Stanford ampliou sua visão sobre a gestão da companhia, segundo a executiva.

“Foi realmente transformador fazer algumas aulas fundamentais sobre negócios, pra entender como uma empresa funciona e como os negócios acontecem. Eu nunca mais olhei pra GM do mesmo jeito, então, sim, Stanford foi fundamental pra eu estar na função que eu estou hoje”, disse ela.

Primeira mulher a comandar uma grande montadora

Em 2014, Barra assumiu como CEO da GM e se tornou a primeira mulher a comandar uma grande montadora global. “Eu queria ser alguém respeitada pelo trabalho que eu estava fazendo, não apenas por ser a primeira mulher”, disse Mary.

“Tive muita sorte de ter minha mãe que sempre me ensinou que eu podia fazer tudo o que eu acreditasse. Então, nunca pensei que não podia ser CEO só porque não tinha ninguém parecido comigo fazendo isso. Se eu fosse a única mulher na sala, eu sabia que trabalhei duro para estar ali. Foi assim que minha mãe criou meu irmão e a mim.”

De crises a mudanças na indústria

Pouco depois de assumir o comando, Barra enfrentou a crise dos recalls da GM, que envolveu milhões de veículos.

Nos anos seguintes, a gestão também atravessou a pandemia de Covid-19, instabilidades macroeconômicas e conflitos geopolíticos.

“Nesta última década, muita coisa mudou na maneira como pensamos os negócios, mas tudo começou com a resiliência da cadeia de suprimentos na época da Covid. Trabalhamos para ter mais fornecedores locais em diferentes lugares do mundo. Esse foi um dos primeiros passos da mudança que promovemos”, disse ela.

Para enfrentar esses desafios, ela acredita que a liderança precisa ser transparente e explicar aos diferentes níveis da organização por que a estratégia está mudando e qual é o novo direcionamento.

“A comunicação é muito importante e poderosa para manter a empresa alinhada. Precisamos falar para todos e repetir, sempre repetir, porque falar uma vez não adianta.”

Inovação e eletrificação orientam estratégia

A inovação também ocupa espaço central no discurso de Barra sobre a estratégia da GM.

“Temos inovação com foco no cliente, em como o nosso veículo vai resolver problemas dos consumidores, e nossos engenheiros estão sempre pensando em design, tecnologia, facilidades”, disse Mary Barra. “Sinto que atualmente temos o melhor portfólio de veículos que já tivemos nas ruas.”

Para ela, o futuro é elétrico. “Quatro em cada cinco pessoas que possuem um carro elétrico depois não voltam a querer um a combustão”, afirma a CEO. “Achamos que o futuro é elétrico, mas queremos dar opções agora para o cliente escolher o que ele quer dirigir.”

Segundo ela, a GM trabalha agora para “ter um ótimo portfólio de veículos a combustão, elétricos e, independentemente do ambiente regulatório, possamos atender o cliente”.

Automação muda trabalho nas fábricas

O avanço tecnológico também transformou os processos de produção da GM e passou a exigir novas habilidades dos trabalhadores. Segundo Mary Barra, o avanço da automação nas fábricas não significa a substituição dos trabalhadores.

“Estamos implementando ‘cobots’, robôs que trabalham ao lado dos funcionários pra manusear e carregar peças, resolver problemas de ergonomia… para o funcionário focar nas sutilezas, garantindo que os humanos sejam a maneira mais eficaz de responder a certos problemas.”

Para isso, a empresa investe no desenvolvimento contínuo de novas habilidades. Segundo Barra, a GM investiu US$ 250 milhões nos últimos cinco anos em programas de treinamento e aprendizagem.