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Mas e ar quente, direção hidráulica e vidro elétrico?

Quem tem mais de 50 anos deve ter convivido com aparelhos de TV em que você trocava os canais num botão enorme. A cada mudança para um dos sete canais era um estalo no botão, que muitas vezes emperrava e você era obrigado a assistir o mesmo canal dias seguidos até a chegada do técnico.
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Redação AB

17 set 2014

5 minutos de leitura

Não era permitido retornar o botão, portanto a mudança seguia a ordem crescente, de forma que, para sintonizar o canal imediatamente anterior, era preciso dar a volta de 360 graus no botão, devagar e cuidadosamente para não o danificar.

Lembrei dessa aberração quando iniciei o test drive com um carro básico. Não, não em 1960, agora mesmo, nesta semana. As montadoras cometem um verdadeiro pecado com as versões chamadas “de entrada” dos seus carros pequenos: “retiram” do carro equipamentos banais, indicando que a tecnologia só chegou para quem compra carro topo de linha. “De entrada” quer dizer “o primeiro carro que o consumidor compra na vida”.

Certamente algumas montadoras contam exatamente com isso (a ignorância do novo consumidor) para deixar de colocar nos seus carros itens como vidros elétricos, travas, direção hidráulica e ar quente. Veja abaixo a lista de itens básicos que os carros básicos não têm.

Você que está acostumado a dirigir carros com direção assistida, experimente um sem o equipamento: é preciso muito esforço para fazer as manobras. Baliza é uma operação quase impossível numa rua movimentada, porque o motorista corre o risco de atrapalhar o trânsito, tantas são as manobras necessárias para colocar o carro no lugar.

O curioso é que muitas montadoras equipam seus carros pequenos com itens modernos e sofisticados, mas as versões de entrada continuam jurássicas. São tecnologias que não estão disponíveis nem mesmo nos modelos topo de linha da própria marca e que colocam o produto no mercado com um diferencial importante, destacado na imprensa e usado sem parcimônia na campanha publicitária.

Essa estratégia de marketing eleva o carro a um padrão superior na visão de muitos consumidores. E, de fato, é um ganho importante você ter, por exemplo, num Ford Ka, o sistema de socorro que aciona o atendimento médico em caso de acidente, ou no Fiat Uno, o sistema start stop, que desliga o motor quando o carro para reduzir o consumo de combustível e as emissões.

Ambos os equipamentos são inéditos em carros fabricados no Brasil em qualquer categoria. No caso do socorro a acidentes oferecido pelo Ka, o item não está disponível nem nos importados mais luxuosos. No caso do start stop do Uno, apenas modelos de marcas de luxo, como BMW, Mercedes-Benz e Audi, oferecem o equipamento.

O Up, da Volkswagen, chegou esbanjando tecnologia, com as versões topo de linha – Red, White e Black – equipadas com sensor de estacionamento traseiro, sistema de distribuição eletrônica de frenagem, computador de bordo com dez funções e um sofisticado sistema de som, mas custando uma pequena fortuna (R$ 40 mil) para um carro dessa categoria. Mas a versão de entrada, a Take, não tem nem direção hidráulica nem trava elétrica das portas nem acionamento elétrico dos vidros.

Você lembra daquela manivela que existia nos carros antigamente para levantar e baixar o vidro? Pois é, ela mesma: o Up, o Clio, o Gol continuam tendo esse sistema obsoleto. O Up básico, na verdade, não oferece nem ar quente de série.

Dentre os pequenos, o Ka é um dos mais equipado, tem até ar condicionado e ajuste do volante na versão de entrada, mesmo assim não vem de série com ajuste de altura do banco do motorista e retrovisor elétrico (equipamento que não é oferecido em nenhuma versão). “Quem quiser retrovisor elétrico compra um Fiesta”, justificou um dirigente da empresa.

O Hyundai HB20, tido como um carro bem equipado, não tem vidros elétricos, trava elétrica e ajuste do volante. Embora tenha direção hidráulica e vidros elétricos, o Onix, da GM, vem sem aparelho de rádio e não tem nem espelho no porta sol. O March, da Nissan, também não tem rádio e nem desembaçador traseiro (vem de série com direção, ar condicionado e vidros e travas elétricos).

E o Sandero, que tem até ar condicionado de série, não oferece vidros elétricos, ajuste do banco, rádio de série. O ABS, que nada mais é do que uma evolução do freio, só passou a fazer parte do carro, neste ano, por exigência legal, assim como o airbag.

Será que é preciso uma legislação especial para fazer com que as fábricas equipem os seus carros com sistema de ar quente, acionamento elétrico dos vidros, travamento central, um radinho FM e um espelhinho do porta-sol?


O que eles têm de série
Veja os itens considerados básicos o que as versões de entrada têm de série


Ka – ar condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas
HB20 – ar condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, limpador e desembaçador traseiro
Up! – —–
Onix – direção hidráulica
Sandero – direção hidráulica, vidro elétrico e ar condicionado
Clio – ——
Uno – ——
March – direção hidráulica e com regulagem, ar condicionado, vidros e trava, limpador traseiro

O que eles não têm de série

Veja os itens considerados básicos e que as versões de entrada não têm de série

Ka – banco com ajuste altura e retrovisor elétrico
HB20 – vidros e travas elétricas e ajuste de volante
Up! – vidros e travas elétricas, ar quente, direção hidráulica
Onix – vidro elétrico, rádio, espelho no para sol
Sandero – vidro elétrico, ajuste do banco e rádio
Clio – ar quente, vidros e travas elétricas, banco com regulagem de altura
Uno – vidros e travas elétricas
March – desembaçador traseiro e rádio

Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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