
Para o consultor Osmair Garcia, o resultado é fruto da pandemia e seus efeitos sentidos na produção de veículos, “que enfrentou paralisações e limitou a oferta de modelos na distribuição, nos fornecedores, que viram os pedidos diminuírem no período, e no mercado de veículos, que ainda tenta recuperar os volumes”.
Por outro lado, disse Garcia, é preciso considerar que o Brasil tem representado nos últimos anos um mercado de baixa lucratividade para parte das empresas que compõem o setor automotivo regional. A General Motors, por exemplo, cogitou sair do País por esta razão, assim como a a Ford, de fato, encerrou sua produção local.
Dados do Banco Central mostram que as remessas de lucros deixaram a casa dos bilhões de dólares a partir de 2014, quando o volume enviado às matrizes no ano foi de US$ 819 milhões. Em 2016, caiu para US$ 114 milhões e, desde então, vinha apresentando perfil de crescimento até desabar, de novo, em 2020 por causa da Covid-19.
O investimento direto das matrizes, por meio dos empréstimos intracompany, também caiu no primeiro semestre. Os dados do BC mostram que foram injetados nas montadoras e autopeças instaladas no país US$ 3,696 bilhões até junho, valor 30% inferior àquele investido no primeiro semestre do ano passado.
Neste caso, comenta Garcia, ainda que o valor seja inferior, os recursos desta vez chegam de fato para financiar a operação local e, também, novos projetos. No ano passado, por outro lado, os recursos que foram injetados nas empresas tinham caráter exclusivo de socorro financeiro às subsidiárias, que passaram a apresentar problemas no fluxo de caixa e no pagamento aos fornecedores.
“As montadoras, apesar da crise que ainda perdura, estão se recuperando. Há melhora nas margens por veículo vendido por meio do reajuste de preços. O forte processo de corte de custos também deverá refletir no desempenho operacional daqui para frente, o que pode viabilizar remessas de lucros maiores a partir do ano que vem”, disse Garcia, que foi vice-presidente financeiro da Volkswagen.