O jornalista Clóvis Rossi, enviado especial da Folha de S. Paulo a Nova Déli, onde se realiza encontro de cúpula dos Brics, revela que o novo regime automotivo brasileiro, prestes a ser anunciado, conterá o que o ministro do MDIC Fernando Pimentel chama de tablita, uma tabela de pontuação para cada montadora instalada no país. Quanto mais pontos cada uma acumular, maior será a redução na cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Segundo Rossi, o critério principal para ganhar pontos será o conteúdo nacional, pois o objetivo central do regime é estimular investimentos das montadoras, em especial as da Ásia.
O desconto pode chegar a 100% dependendo da pontuação, mas, para não pagar nenhum IPI, a montadora terá de acumular muitos pontos, uma hipótese remota. O conteúdo não é precisamente nacional, mas regional, beneficiando veículos produzidos no Mercosul.
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento também contarão pontos, assim como o carro elétrico, ainda irrelevante para o mercado brasileiro. Haverá pontos também para os chamados “veículos verdes”, os que menos poluem.
Segundo o jornalista, Pimentel deve apresentar na semana que vem o projeto do novo regime automotivo aos empresários do setor e não espera restrições realmente relevantes. Por isso, prevê que nos primeiros dias de abril o pacote possa ser oficialmente anunciado, com a “tablita” e tudo.
Rossi escreve que o sonho do ministro Pimentel é um veículo realmente nacional. Hoje, todos os automóveis produzidos no Brasil são de fábricas estrangeiras. Pimentel não acredita que se possa montar do zero uma fábrica brasileira, mas pode-se, sim, comprar uma.