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A luz amarela está acesa para o setor automotivo, apesar dos recordes em vendas e produção, admitem analistas, que esperam uma mudança rápida na estrutura tributária para combater o avanço estrangeiro e dar novo alento às exportações. A manutenção do IPI zero para caminhões até o final de dezembro ilustraria parte da atenção do governo com a questão, embora a redução do tributo para veículos flex esteja fora de cogitação – ao menos por enquanto.
A balança comercial sinaliza as dificuldades da indústria automotiva. Enquanto a de autopeças vem se deteriorando de forma crescente, a ponto de se projetar um déficit superior a US$ 4 bilhões este ano, a de veículos ainda não voltou aos patamares de 2008. Segundo a Anfavea, no semestre foram exportados 357,5 mil veículos, contra 381,2 mil dos primeiros seis meses de 2008. Em valores, computadas agora as máquinas agrícolas, os associados da Anfavea enviaram ao exterior US$ 6,89 bilhões no primeiro semestre de 2008 e apenas US$ 5,72 bilhões este ano.
Seria a proposta do MDIC um resposta à altura para o choque que imaginou Cledorvino Belini ao tomar posse como presidente da Anfavea? É difícil responder, mas certamente o estudo em andamento servirá de base para o novo governo agir, qualquer que seja o partido vencedor nas eleições.
Paulo Butori, presidente do Sindipeças, promete resistir às dificuldades atuais do setor de autopeças e afastar a possibilidade de um desastre como o ocorrido nos anos 90, marcados pela quebradeira e desnacionalização das empresas filiadas à entidade. Das 1.600 existentes na época, restaram cerca de 600.
As empresas de menor porte, mais fragilizadas diante do que Butori chama de cecaderização na indústria automobilística, referindo-se à montagem local de componentes importados, serão estimuladas por programas do Sindipeças em 2010.
Projeções
Na reunião com a imprensa no dia 12, em São Paulo, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, manteve as projeções para a produção e venda de veículos este ano, preferindo aguardar a evolução do mercado para fazer uma revisão dos números para a segunda metade do ano.
O dirigente destacou o recorde histórico de licenciamentos no semestre, que somou 1,58 milhão de veículos, contra 1,45 milhão no mesmo período de 2009. A média diária avançou de 11.787 para 12.739 unidades. Ele atribuiu o bom desempenho semestral a um expressivo volume de crédito, que sobe ao patamar de R$ 166 bilhões, queda nos juros (hoje nos 18,2% ao ano) e na inadimplência para o nível de 3,8%.
O grande salto nas vendas (53,7%) ocorreu no segmento de caminhões, que vendeu 71 mil unidades este ano, contra 46,2 mil no primeiro semestre de 2009, enquanto a média diária pulou de 375 para 572 unidades.
A produção semestral também é recorde, com 1,75 milhão de unidades, contra 1,47 milhão dos primeiros seis meses do ano passado. O destaque foi para o avanço da média diária, de 11.970 para 14.139 mil unidades.
O estoque na indústria andou escasseando em maio (6 dias) e junho (10 dias). Somando as unidades disponíveis nas concessionárias, no final de junho havia 318.839 veículos disponíveis para venda, o equivalente a 36 dias.
Já o emprego esteve em alta. O setor de autoveículos fez 570 contratações em junho e o de máquinas agrícolas outras 585. Somados, os dois possuem 130.968 postos de trabalho ocupados.
Foto: Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.