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Menos de 20% dos brasileiros vivem em vias com calçadas livres de obstáculos, diz IBGE

Nova pesquisa mostra condições urbanísticas no entorno de domicílios e ruas sem rampa para cadeirantes são quase 70%
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Victor Bianchin

22 abr 2025

6 minutos de leitura

84% dos brasileiros vivem em vias com calçada – Foto: Kseniia Lobko/Unsplash

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Censo 2022 de Características Urbanísticas no Entorno de Domicílios. O estudo inédito tem dados coletados em 5.568 municípios de todo o país, além do Distrito Federal e de Fernando de Noronha.

O estudo mapeia dados importantes sobre a circulação nas cidades brasileiras, com informações como a existência de calçadas, a presença de iluminação pública e o acesso ao transporte público.

Capital gaúcha é o destaque em calçadas livres

De acordo com a pesquisa, apenas 32,8 milhões dos brasileiros vivem em vias com calçadas livres de obstáculos. Esse número representa 18,8% das 174,2 milhões de pessoas residentes nas áreas pesquisadas.

Destaques positivos para Rio Grande do Sul, com 28,7%, Mato Grosso, com 27,4%, e São Paulo, com 25,5%. Das capitais, a melhor situação é Porto Alegre (RS), com 46,6%.

Já 119,9 milhões de pessoas (68,8%) moram em vias sem rampa para cadeirantes – em 2010, eram 146,3 milhões (95,2%).

O estado com maior presença de rampas para cadeirantes foi o Mato Grosso do Sul (41,1%), seguido por Paraná (37,3%), Distrito Federal (30,4%), Mato Grosso (22,4%) e Rio Grande do Sul (20,2%).

O Censo 2022 apurou que 146,4 milhões dos moradores (84%) vivem em vias com calçada, frente a 102,7 milhões (66,4%) em 2010. 15,3 milhões de pessoas (8,8%) moram em vias que possuem pontos de ônibus ou van, enquanto 3,3 milhões de pessoas (1,9%) residem em vias com pista sinalizada para bicicletas.

CENSO 2022 – ACESSIBILIDADE E OBSTÁCULOS NAS VIAS PÚBLICAS NO ENTORNO DE DOMICÍLIOS
UFRampa para cadeiranteVia sinalizada para bicicletaCalçada/passeioObstáculo na calçada – Não existe
Mato Grosso do Sul41,11,184,123,4
Paraná37,31,988,126,8
Distrito Federal30,44,192,920,9
Mato Grosso22,41,482,727,4
Rio Grande do Sul20,21,58228,7
Santa Catarina19,95,278,126,3
Sergipe 17,42,390,312
Goiás16,90,992,621,1
Espírito Santo16,62,57916,7
Roraima15,51,360,319,5
Brasil15,21,98418,8
Amapá14,83,157,111,1
São Paulo14,82,291,625,5
Minas Gerais14,20,990,315,3
Rio Grande do Norte14,10,986,710,8
Tocantins13,30,684,711,8
Rondônia12,7168,811,9
Alagoas12,00,985,611,7
Rio de Janeiro12,02,579,419,2
Acre10,22,9725,6
Paraíba9,21,585,310
Bahia8,91,374,412,9
Piauí8,41,583,14,9
Ceará7,13,28510,8
Pará7,02,164,88,8
Maranhão6,40,577,14,6
Pernambuco6,21,871,28,5
Amazonas5,60,573,87,5

O que circula nas vias

Em 2022, o estudo estreou o quesito “capacidade máxima de circulação da via” e observou que 158,1 milhões de pessoas (90,8%) moram em vias que conseguem receber até caminhões e ônibus, 10,5 milhões (6,1%) em vias que conseguem receber até carro ou van e 5 milhões (2,9%) em vias que só conseguem ser percorridas por motocicletas, bicicletas e pedestres.

“Esta condição nestes grandes centros urbanos está associada a relevo acidentado, centros históricos e a presença de proporções maiores de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas”, afirmou em comunicado Jaison Cervi, gerente de pesquisas e classificações territoriais do IBGE.

“Por exemplo, Salvador é a capital com menor percentual de moradores em vias com capacidade de circulação por caminhão ou ônibus, com 63,4%, e maior percentual de moradores em vias com capacidade máxima de circulação por carros e vans, registrando 17,9%”, completou.

Outro quesito novo pesquisado no levantamento foi a existência de via sinalizada para bicicletas, equipamento urbanístico presente em vias onde residem 3,3 milhões de pessoas (1,9%).

“De forma geral, os percentuais de moradores residindo em vias com sinalização para bicicletas foram significativamente baixos, revelando que a infraestrutura das vias no país ainda é muito direcionada para veículos automotores”, declarou o pesquisador do IBGE.

De acordo com o levantamento, 154,1 milhões de moradores (88,5%) vivem em vias pavimentadas, enquanto 19,5 milhões viviam em vias não pavimentadas.

Transporte público, iluminação e esgoto

A pesquisa identificou pontos de ônibus ou van em vias onde moravam 15,3 milhões de pessoas (8,8%). Esse item de infraestrutura urbana, indicativo da existência de transporte coletivo, tem uma distribuição bastante desigual no território nacional.

Nos estados das regiões Sul e Sudeste, foram constatadas as maiores proporções de moradores em vias com essas características, todos com percentuais maiores que 10%, com destaque para o Rio Grande do Sul (14,5%), Santa Catarina (11,9%) e São Paulo (11,8%). Tocantins (1,6%) apresentou a menor proporção.

A infraestrutura de drenagem representada pela presença do bueiro ou boca de lobo nas vias está presente para 53,7% dos moradores (93,6 milhões de habitantes). Em 2010, esse percentual era de 39,3% (60,3 milhões). O percentual de moradores em vias com iluminação pública no total do país atingiu 97,5 (169,7 milhões). Em 2010, esse percentual havia sido de 95,2% (146,2 milhões).

No que diz respeito à vegetação, a pesquisa mostra que, no Brasil, há 58,7 milhões de moradores (33,7%) vivendo em vias sem arborização, enquanto 114,9 milhões (66,0%) vivem em vias com presença de árvores.

Segregação por raça

O estudo destaca que a população que se considera amarela reside em vias com mais capacidade máxima de circulação – caminhão ou ônibus (95,6%), assim como registra melhor infraestrutura em quase todos os quesitos: via pavimentada (96,3%), bueiro ou boca de lobo (61,8%), iluminação pública (98,8%), pontos de ônibus (13,5%), via sinalizada para bicicleta (4,2%), presença de calçada ou passeio (94,6%), rampa para cadeirantes (29,6%), arborização (80,0%).

A população branca foi identificada como a segunda com maior oferta de quase todos os elementos pesquisados: via com capacidade máxima de circulação (93,5%), via pavimentada (91,3%), bueiro ou boca de lobo (60,8%), iluminação pública (98,1%), ponto de ônibus (10,6%), via sinalizada para bicicleta (2,5%), presença de calçada ou passeio (88,2%), rampa para cadeirantes (19,2%) e arborização (70,6%).

Por outro lado, a população que se declarou como preta apresenta percentuais mais baixos em quesitos como iluminação pública (96,8%), via sinalizada para bicicleta (1,4%), presença de calçada ou passeio (79,2%), rampa para cadeirantes (11,1%) e arborização (59,4%).

Já a população declarada como parda apresentou percentuais baixos em existência de elementos como via pavimentada, (86,0%) bueiro ou boca de lobo (47,1%) e pontos de ônibus (7,1%).

A população que se declara como indígena, residente em áreas com características urbanas, apresenta menor percentual de obstáculos na calçada (52,4%), porém, tem o maior percentual de residentes (6,4%) em vias com menor acessibilidade (só recebem motocicletas, bicicletas e pedestres).

Além disso, essa população registra os percentuais mais baixos na presença de todos os quesitos levantados pela pesquisa tais como via pavimentada, (72,2%) bueiro ou boca de lobo (36,0%), iluminação pública (90,4%), pontos de ônibus (4,8%), via sinalizada para bicicleta (1,1%), presença de calçada ou passeio (63,7%), rampa para cadeirantes (9,8%), arborização (58,5%).