
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Censo 2022 de Características Urbanísticas no Entorno de Domicílios. O estudo inédito tem dados coletados em 5.568 municípios de todo o país, além do Distrito Federal e de Fernando de Noronha.
O estudo mapeia dados importantes sobre a circulação nas cidades brasileiras, com informações como a existência de calçadas, a presença de iluminação pública e o acesso ao transporte público.
Capital gaúcha é o destaque em calçadas livres
De acordo com a pesquisa, apenas 32,8 milhões dos brasileiros vivem em vias com calçadas livres de obstáculos. Esse número representa 18,8% das 174,2 milhões de pessoas residentes nas áreas pesquisadas.
Destaques positivos para Rio Grande do Sul, com 28,7%, Mato Grosso, com 27,4%, e São Paulo, com 25,5%. Das capitais, a melhor situação é Porto Alegre (RS), com 46,6%.
Já 119,9 milhões de pessoas (68,8%) moram em vias sem rampa para cadeirantes – em 2010, eram 146,3 milhões (95,2%).
O estado com maior presença de rampas para cadeirantes foi o Mato Grosso do Sul (41,1%), seguido por Paraná (37,3%), Distrito Federal (30,4%), Mato Grosso (22,4%) e Rio Grande do Sul (20,2%).
O Censo 2022 apurou que 146,4 milhões dos moradores (84%) vivem em vias com calçada, frente a 102,7 milhões (66,4%) em 2010. 15,3 milhões de pessoas (8,8%) moram em vias que possuem pontos de ônibus ou van, enquanto 3,3 milhões de pessoas (1,9%) residem em vias com pista sinalizada para bicicletas.
| CENSO 2022 – ACESSIBILIDADE E OBSTÁCULOS NAS VIAS PÚBLICAS NO ENTORNO DE DOMICÍLIOS | ||||
| UF | Rampa para cadeirante | Via sinalizada para bicicleta | Calçada/passeio | Obstáculo na calçada – Não existe |
| Mato Grosso do Sul | 41,1 | 1,1 | 84,1 | 23,4 |
| Paraná | 37,3 | 1,9 | 88,1 | 26,8 |
| Distrito Federal | 30,4 | 4,1 | 92,9 | 20,9 |
| Mato Grosso | 22,4 | 1,4 | 82,7 | 27,4 |
| Rio Grande do Sul | 20,2 | 1,5 | 82 | 28,7 |
| Santa Catarina | 19,9 | 5,2 | 78,1 | 26,3 |
| Sergipe | 17,4 | 2,3 | 90,3 | 12 |
| Goiás | 16,9 | 0,9 | 92,6 | 21,1 |
| Espírito Santo | 16,6 | 2,5 | 79 | 16,7 |
| Roraima | 15,5 | 1,3 | 60,3 | 19,5 |
| Brasil | 15,2 | 1,9 | 84 | 18,8 |
| Amapá | 14,8 | 3,1 | 57,1 | 11,1 |
| São Paulo | 14,8 | 2,2 | 91,6 | 25,5 |
| Minas Gerais | 14,2 | 0,9 | 90,3 | 15,3 |
| Rio Grande do Norte | 14,1 | 0,9 | 86,7 | 10,8 |
| Tocantins | 13,3 | 0,6 | 84,7 | 11,8 |
| Rondônia | 12,7 | 1 | 68,8 | 11,9 |
| Alagoas | 12,0 | 0,9 | 85,6 | 11,7 |
| Rio de Janeiro | 12,0 | 2,5 | 79,4 | 19,2 |
| Acre | 10,2 | 2,9 | 72 | 5,6 |
| Paraíba | 9,2 | 1,5 | 85,3 | 10 |
| Bahia | 8,9 | 1,3 | 74,4 | 12,9 |
| Piauí | 8,4 | 1,5 | 83,1 | 4,9 |
| Ceará | 7,1 | 3,2 | 85 | 10,8 |
| Pará | 7,0 | 2,1 | 64,8 | 8,8 |
| Maranhão | 6,4 | 0,5 | 77,1 | 4,6 |
| Pernambuco | 6,2 | 1,8 | 71,2 | 8,5 |
| Amazonas | 5,6 | 0,5 | 73,8 | 7,5 |
O que circula nas vias
Em 2022, o estudo estreou o quesito “capacidade máxima de circulação da via” e observou que 158,1 milhões de pessoas (90,8%) moram em vias que conseguem receber até caminhões e ônibus, 10,5 milhões (6,1%) em vias que conseguem receber até carro ou van e 5 milhões (2,9%) em vias que só conseguem ser percorridas por motocicletas, bicicletas e pedestres.
“Esta condição nestes grandes centros urbanos está associada a relevo acidentado, centros históricos e a presença de proporções maiores de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas”, afirmou em comunicado Jaison Cervi, gerente de pesquisas e classificações territoriais do IBGE.
“Por exemplo, Salvador é a capital com menor percentual de moradores em vias com capacidade de circulação por caminhão ou ônibus, com 63,4%, e maior percentual de moradores em vias com capacidade máxima de circulação por carros e vans, registrando 17,9%”, completou.
Outro quesito novo pesquisado no levantamento foi a existência de via sinalizada para bicicletas, equipamento urbanístico presente em vias onde residem 3,3 milhões de pessoas (1,9%).
“De forma geral, os percentuais de moradores residindo em vias com sinalização para bicicletas foram significativamente baixos, revelando que a infraestrutura das vias no país ainda é muito direcionada para veículos automotores”, declarou o pesquisador do IBGE.
De acordo com o levantamento, 154,1 milhões de moradores (88,5%) vivem em vias pavimentadas, enquanto 19,5 milhões viviam em vias não pavimentadas.
Transporte público, iluminação e esgoto
A pesquisa identificou pontos de ônibus ou van em vias onde moravam 15,3 milhões de pessoas (8,8%). Esse item de infraestrutura urbana, indicativo da existência de transporte coletivo, tem uma distribuição bastante desigual no território nacional.
Nos estados das regiões Sul e Sudeste, foram constatadas as maiores proporções de moradores em vias com essas características, todos com percentuais maiores que 10%, com destaque para o Rio Grande do Sul (14,5%), Santa Catarina (11,9%) e São Paulo (11,8%). Tocantins (1,6%) apresentou a menor proporção.

A infraestrutura de drenagem representada pela presença do bueiro ou boca de lobo nas vias está presente para 53,7% dos moradores (93,6 milhões de habitantes). Em 2010, esse percentual era de 39,3% (60,3 milhões). O percentual de moradores em vias com iluminação pública no total do país atingiu 97,5 (169,7 milhões). Em 2010, esse percentual havia sido de 95,2% (146,2 milhões).
No que diz respeito à vegetação, a pesquisa mostra que, no Brasil, há 58,7 milhões de moradores (33,7%) vivendo em vias sem arborização, enquanto 114,9 milhões (66,0%) vivem em vias com presença de árvores.
Segregação por raça
O estudo destaca que a população que se considera amarela reside em vias com mais capacidade máxima de circulação – caminhão ou ônibus (95,6%), assim como registra melhor infraestrutura em quase todos os quesitos: via pavimentada (96,3%), bueiro ou boca de lobo (61,8%), iluminação pública (98,8%), pontos de ônibus (13,5%), via sinalizada para bicicleta (4,2%), presença de calçada ou passeio (94,6%), rampa para cadeirantes (29,6%), arborização (80,0%).
A população branca foi identificada como a segunda com maior oferta de quase todos os elementos pesquisados: via com capacidade máxima de circulação (93,5%), via pavimentada (91,3%), bueiro ou boca de lobo (60,8%), iluminação pública (98,1%), ponto de ônibus (10,6%), via sinalizada para bicicleta (2,5%), presença de calçada ou passeio (88,2%), rampa para cadeirantes (19,2%) e arborização (70,6%).
Por outro lado, a população que se declarou como preta apresenta percentuais mais baixos em quesitos como iluminação pública (96,8%), via sinalizada para bicicleta (1,4%), presença de calçada ou passeio (79,2%), rampa para cadeirantes (11,1%) e arborização (59,4%).
Já a população declarada como parda apresentou percentuais baixos em existência de elementos como via pavimentada, (86,0%) bueiro ou boca de lobo (47,1%) e pontos de ônibus (7,1%).

A população que se declara como indígena, residente em áreas com características urbanas, apresenta menor percentual de obstáculos na calçada (52,4%), porém, tem o maior percentual de residentes (6,4%) em vias com menor acessibilidade (só recebem motocicletas, bicicletas e pedestres).
Além disso, essa população registra os percentuais mais baixos na presença de todos os quesitos levantados pela pesquisa tais como via pavimentada, (72,2%) bueiro ou boca de lobo (36,0%), iluminação pública (90,4%), pontos de ônibus (4,8%), via sinalizada para bicicleta (1,1%), presença de calçada ou passeio (63,7%), rampa para cadeirantes (9,8%), arborização (58,5%).