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Estratégia

Menos é mais: Peugeot aposta em simplicidade

Marca desempenha papel visto como importante dentro do universo Stellantis ao ocupar espaço entre o básico e o luxo
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Bruno de Oliveira

16 out 2025

4 minutos de leitura

O setor automotivo é um daqueles da indústria que tem as suas nuances e uma das mais marcantes é aquela que versa sobre como nem sempre aquilo que vemos é o que se mostra como factível na realidade.

O entorno da Peugeot no Brasil é um exemplo bem ilustrado por essa premissa. Por ser um gigante europeu, e um best-seller na Argentina, sempre se esperou da marca uma presença mais robusta no mercado brasileiro em termos de participação de mercado.

Mas, como disse nas primeiras linhas deste texto, nessa indústria nem sempre o que se vê é o óbvio ululante, parafraseando Nelson Rodrigues.

A Peugeot nunca esteve perto de ser líder em vendas no país, quiçá em alguns momentos tocou o topo da lista em segmentos específicos como o de compactos ou de veículos utilitários, mas nunca foi campeã de vendas como Volkswagen, Chevrolet, Hyundai ou Fiat.

No entanto, ser ou não líder é algo que talvez não seja o que há de mais importante nesta que é uma das 14 marcas do grupo Stellantis – e fazer parte do conglomerado, dessa House of Brands, reforça a premissa de que nem sempre o mais importante é vender mais.

Em setembro, a reportagem conversou com a vice-presidente da marca, Fabiana Figueiredo, durante o lançamento das versões híbridas do compacto 208 e do SUV 2008, no Rio de Janeiro (RJ).

Peugeot desempenha papel chave na Stellantis

Ali, a executiva explicou porque a marca desempenha um papel fundamental dentro da estratégia comercial da Stellantis mesmo estando longe da irmã Fiat, por exemplo, em termos de volume de vendas.

Em linhas gerais, a Peugeot – assim como a irmã Citroën – tem um papel bem definido no escopo da holding. E este papel seria o de proporcionar volumes relevantes dentro do seu nicho de atuação.

E qual seria esse? Segundo a executiva, seria um naco do mercado demandante por veículos compactos com algum tipo de mimo em sua concepção, seja no campo do desenho, da tecnologia embarcada, ou os dois juntos.

Como podemos perceber, tal segmento se difere daqueles que proporcionam volume de vendas maiores onde figuram, por exemplo, os modelos de entrada. O universo dominado por Fiat Argo, Volkswagen Polo, Chevrolet Onix, Renault Kwid, e por aí vai.

Híbridos Peugeot vão trazer a marca à luz

E a crença da Peugeot é a de que, sim, neste campo as vendas do 208 e do 2008 vão muito bem, obrigado, proporcionando à Stellantis a relevância e mais um subsegmento do fragmentadíssimo mercado brasileiro.

“Os híbridos vão jogar luz sobre o que estamos entregando em termos de produto. A gente trabalha para crescer, mas respeitando o lugar que ocupamos”, disse Fabiana Figueiredo à AB, em entrevista concedida no luxuoso clube de golfe Itanhangá, no Rio.

“A prioridade é crescimento sustentável, não crescer a todo custo. Temos uma estratégia de crescimento baseada em rentabilidade e fortalecimento da rede”, completou.

Nessa indústria é claro que a ideia central é sempre vender mais, mas o atual desempenho comercial da Peugeot no país se mostra como algo aceitável para a gestão da marca. Desempenho que lhe garantiu no acumulado do ano até setembro 1,7% de participação no mercado local.

Para a Peugeot, menos é mais

Para vender mais, a marca tem como objetivo simplificar a oferta para deixar as propostas de valor mais evidentes. Hoje, no país, a oferta de automóveis é composta pelo 208 e pelo 2008, ambos produzidos na Argentina, nas versões equipadas com conjunto híbrido ou apenas a combustão.

A executiva disse, ainda, que a marca não descarta trazer de volta ao seu portfólio os modelos maiores, como é o caso do 3008 e do 5008.

Enquanto isso não acontece, a marca quer seguir atendendo a demanda de um público que considera fiel, o qual é formado por consumidores acima dos 40 anos, com renda mensal acima da média brasileira, que tem interesse em compactos com acabamento mais refinado e, principalmente, que tem interesse em pagar mais por isso.

Tanto 208 quanto o 2008 oferecem um conjunto razoável dentro desse escopo = e não é de hoje. A diferença entre o passado e o presente desses modelos é que os preços de tabela são mais convidativos, ou mais baixos do que o de concorrentes considerados diretos.

Peugeot preparada para aumento da demanda

Tornar a oferta mais acessível, segundo a executiva, tem tudo a ver com a sinergia proporcionada pela Stellantis. A máquina produtiva imensa do grupo, com diversas fábricas e fornecedores integrados a um esquema de alto volume, deram condições para que os veículos Peugeot pudessem ter preços mais acessíveis. Sem mencionar capilaridade de rede.

“A gente trabalha para crescer sempre, né? Então a gente tá preparado para atender uma demanda ainda maior. Os híbridos são uma oportunidade para a gente trazer uma novidade e melhorar nossa performance”, finalizou Fabiana Figueiredo.