
Segundo ele, a evolução do setor automotivo nacional será puxada por mais uma onda de crescimento da economia chinesa. Como o país é o principal parceiro comercial do Brasil, a alta terá impacto positivo sobre o PIB local, o que tende a refletir nos resultados do setor automotivo. O movimento fará com que o mercado nacional chegue a 5 milhões de veículos na próxima década, com expansão média de 5,6% ao ano a partir de 2017, segundo a MA8.
O estudo elaborado pela empresa usa os dados dos últimos quinze anos para encontrar a tendência futura. Os números são do período de maior crescimento do mercado de veículos no Brasil. Não sem motivos, o momento também é o de maior expansão da economia chinesa. “A China foi o motor mundial durante a década passada e o Brasil se beneficiou diretamente disso”, determina Merluzzi.
Para ele, há sinais claros de que o gigante asiático terá segunda onda de crescimento a partir de 2017. O presidente do país, Xi Jinping, prometeu dobrar o PIB até 2022. “Com uma taxa média de crescimento anual em torno de 7,5%, a promessa se tornará realidade”, acredita. Para concretizar o plano, a China demandará enorme quantidade de commodities minerais e agrícolas do Brasil.
O consultor enfatiza que, apesar da influência positiva, o setor automotivo brasileiro precisa ficar atento a outros dados importantes, como o endividamento das famílias, restrições ao crédito, taxas de juro, inflação, desemprego, produtividade e política monetária. Merluzzi acredita que, antes de voltar a ser terreno fértil à expansão das vendas, o mercado nacional passará por meses de euforia alternados com momentos de contração dos negócios.
LIÇÃO DE CASA
Para driblar o período de ajustes, Merluzzi destaca a necessidade de que as montadoras mantenham cadeia saudável de fornecedores e fiquem atentos aos aumentos de custos de produção e às pressões sindicais por salários maiores e manutenção dos empregos. Para a consultoria, será inevitável otimizar as operações, revendo custos fixos e estruturais. “É possível que tenhamos até o enxugamento de algumas operações no País”, admite.
Outro aspecto importante, na opinião do consultor, é que as montadoras mantenham redes de distribuição saudáveis. Merluzzi aponta que, com a pressão para que os preços se mantenham baixos, devem acontecer abalos na rentabilidade. Segundo ele, a situação precisa ser revertida, já que a capitalização e motivação das concessionárias será elemento chave para o crescimento das vendas nos próximos anos.