
Em sua exposição sobre o mercado de veículos comerciais e a introdução do Euro 5 durante o Congresso Fenabrave 2012, que começou nesta quinta-feira, 16, Saltini afirmou que tem ido à Brasília insistentemente para tratar com o governo sobre possíveis soluções para alavancar o mercado.
“O governo não sinalizou, ainda, a manutenção da taxa de 5,5% para o Finame PSI, mas acredito que há condições para manter a taxa nesse patamar. O que tentamos mostrar ao governo é que a fórmula para aumentar as vendas é baixar os juros e elevar o crédito por um período mais longo, porque o mercado de caminhões funciona de uma maneira diferente do de automóveis”, disse. Ele revela que, no caso da MAN, o estoque é de 8 mil unidades, equivalente a dois meses de vendas.
Contudo, Saltini aponta que, mesmo com a manutenção dos juros baixos, os licenciamentos de caminhões devem cair 10% este ano, para 130 mil unidades, conforme as projeções do executivo, que também é vice-presidente da Anfavea. A produção do segmento até julho oscila com queda entre 45% e 50% sobre igual período do ano passado.
“A crise internacional tem impactado significativamente o desempenho das demais economias. O mercado de caminhões deveria ser um índice econômico: se as vendas do segmento caem, é porque a economia não vai bem.”
O mercado tem registrado média de vendas de 150 mil unidades por ano nos últimos três anos, conta. “Se continuarmos com as 10 mil unidades/mês, devemos chegar a 130 mil, mas esperamos que isso não aconteça.”
Ele também elencou outras dificuldades já previstas para este ano pelas montadoras, com a introdução das novas tecnologias para atender à norma Proconve P7, equivalente à Euro 5, como a escassez do diesel S50 para abastecer a frota dos novos caminhões, que segundo Saltini, continua “caro e raro”. Atualmente, dos 38 mil postos que operam no País, 5.025 unidades oferecem o S50. Segundo a ANP, a distância entre eles é de um raio de 100 quilômetros.
A partir do próximo mês, a comissão responsável pela introdução de normas de emissões no País, que integra representantes do governo, Ministério do Meio Ambiente, Fecombustíveis, Anfavea, Petrobras e outros, começará a debater a introdução do diesel S10, que substituirá o S50 a partir de 1º de janeiro de 2013.
Sobre o Arla 32, aditivo utilizado nos motores com sistema SCR, a variação de preço é o principal problema. Pelos dados apresentados, enquanto as redes de concessionárias vendem o litro a R$ 2,60, em média, o mercado em geral, como postos de gasolina, oferece o produto por até R$ 6,00 o litro.
“É um preço exorbitante que impacta na decisão do cliente que vai ter um custo adicional de operação na sua frota.”
Entretanto, o vice-presidente da Anfavea afirma acreditar em melhora do cenário no segundo semestre. “Há um esforço grande do governo de tentar retomar a economia com medidas de estímulo, como o pacote de concessões de logística em infraestrutura, mas que só deve impactar no nosso mercado a partir de 2013.”