
Vale recordar que os números do setor de implementos são formados pelos reboques e semirreboques (puxados por cavalo mecânico) e pelas carrocerias sobre chassi, montadas em cima do caminhão. O primeiro segmento tem maior volume de entregas. Somou no trimestre 19,5 mil unidades, mas anotou queda de 8,4%. O principal motivo foi a menor procura neste período pelos transportadores de grãos.
Essa retração decorre também da dificuldade que os fabricantes de caminhões tiveram para produzir e entregar no primeiro trimestre os veículos que puxariam essas carretas.
Obras urbanas mantiveram vendas
O que manteve as vendas de implementos no azul foram as carrocerias sobre chassi. Elas anotaram alta de 13% ao somar 16,5 mil unidades no trimestre. “O resultado positivo é reflexo da continuidade das obras urbanas, em especial do mercado imobiliário“, afirma José Carlos Spricigo, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), que divulgou os números do segmento na quarta-feira, 6.
Um bom exemplo da demanda pela construção civil foram as carrocerias basculantes, que somaram 2,2 mil unidades de janeiro a março, alta de 55,3% na comparação interanual. E os implementos para carga seca (que levam tijolos, sacos de cimento e vergalhões, por exemplo) registraram crescimento de 14,4% ao somar 3,9 mil unidades.
Entre os reboques e semirreboques chama a atenção a queda acima de 30% nos implementos graneleiros. Foram menos de 3 mil unidades neste primeiro trimestre, ante 4,2 mil em iguais meses de 2021. Outro recuo significativo (-51,1%) ocorreu na entrega de baús para carga geral. No primeiro trimestre de 2021 eles superaram 2,5 mil unidades, mas ficaram abaixo de 1,3 mil neste começo de 2022.
Esses baús são utilizados por toda a indústria e também no comércio eletrônico. A queda no emplacamento de baús pode ser explicada tanto pela base de comparação elevada de 2021, como pela dificuldade das montadoras para entregar os veículos que rebocariam esses implementos.
Em entrevista coletiva recente, a direção da Fenabrave (que reúne as associações de concessionários) informou que faltam componentes eletrônicos para a montagem completa dos caminhões e esse problema afeta ainda mais os modelos extrapesados, que respondem por metade das vendas totais e são utilizados para puxar esses grandes implementos.
Exportação se mantém estável
Os números divulgados pela Anfir informam 665 implementos enviados ao mercado externo em 2022. O número revela alta de apenas 0,6%, mas aqui vale dizer que o balanço das exportações tem defasagem de um mês e, portanto, esse total inclui apenas os embarques do primeiro bimestre.