
Montadoras e o setor de distribuição comemoram um melhor cenário no mercado de veículos novos no país, com volumes de vendas e a média diária em agosto em patamares que pouco foram vistos no pós-pandemia.
Não poderia ser diferente: afinal, afora a depressão nas vendas vista entre 2020 e 2022, o mercado e a indústria ainda enfrentaram a falta de componentes e paradas de produção até meados de 2024, quando a produção voltou aos níveis de 2019 e as vendas ocorrendo a uma média de 10 mil emplacamentos/dia.
SAIBA MAIS:
– Produção de veículos no país é a maior desde 2019 com 1,6 milhão de unidades
– Média diária de vendas de veículos em agosto anima concessionários
Para a Anfavea, associação que representa os interesses das montadoras instaladas no país, a queda promovida na taxa de juros (Selic) nos últimos meses foi fundamental para que os negócios envolvendo veículos zero quilômetro no país voltassem a ficar aquecidos.
“O nosso mercado está melhor do que a gente imaginava”, disse na quinta-feira, 5, o presidente da entidade setorial, Marcio de Lima Leite. “Muito em função da taxa de juros menor, um fator decisivo para as vendas locais.”
Contudo, analistas do setor financeiro projetam uma retomada do crescimento da Selic a partir de setembro, na esteira do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no país no último trimestre. Influenciam também cenário fiscal nos Estados Unidos, conflitos geopolíticos e um eventual arrefecimento da produção nacional no segundo semestre.
A análise da Anfavea sobre a possibilidade da volta de uma Selic maior é de que ela poderá, de alguma forma, abrandar o clima festivo em torno do desempenho recente das vendas.
“Estamos acompanhando com atenção porque isso impacta o nosso setor. Nossa expectativa é de que não haja aumento substancial, mas reconhecemos que é algo mais complexo do que um desejo político”, afirmou Leite.
Um eventual aumento da Selic, neste momento do ano, poderia de alguma forma melar as apostas da indústria a respeito das vendas para o ano.
Vale lembrar que a Anfavea projetou em dezembro do ano passado um total de emplacamentos 6% superior em 2024. Em julho, quando fez as suas tradicionais revisões, a estimativa aumentou para 11%, somando 2,5 milhões de emplacamentos até dezembro.
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Não apenas uma Selic maior poderá refletir de forma negativa nas vendas, como também os efeitos da sazonalidade: em períodos eleitorais o consumidor historicamente adota uma postura de cautela acerca de novas aquisições.
“Nós temos um vício de não comemorar tanto as vitórias”, disse Leite a respeito da extensão de um programa federal de fomento à produção local de semicondutores.
Com tantos percalços no caminho, a cautela embutida nessa frase também poderia vir a calhar a respeito das vendas de veículos.
