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Para ganhar mercado geral, Volkswagen recorre a picapes

Qualquer executivo da Volkswagen estufa o peito para falar orgulhosamente que a marca é a que ganha mais participação no mercado brasileiro. De fato, a fabricante alemã foi a que mais abocanhou fatias na pizza do setor automotivo no primeiro semestre, mas poderia ser melhor.
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FernandoMiragaya

12 set 2024

4 minutos de leitura

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Nova Amarok em uma das ativações da Volkswagen no Rock in Rio 2024

Só não o é por causa das picapes, e a Volkswagen tem plena consciência de que precisa focar melhor na categoria para ganhar participação geral. Até porque, entre os carros de passeio, está “dominado” para a marca alemã.


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No acumulado até agosto de 2024, segundo dados de vendas do Renavam, a Volkswagen teve 17% do mercado de automóveis leves, contra 15% da Fiat, 13% da General Motors e 10%, da Hyundai. Quando soma carros e comerciais, a Fiat vai a 21% e a VW fica em segundo, com 15%.

Volkswagen ‘pena’ no mercado de picapes

O bicho pega entre os comerciais leves. Justamente onde há uma supremacia das picapes da Fiat, enquanto entre as médias a Toyota reina absoluta.

“Na categoria de veículos de passeio a gente é líder de mercado. E está abrindo vantagem”, diz, orgulhoso, Roger Corassa, vice-presidente de vendas da montadora, durante conversa com a reportagem da AB enquanto percorria áreas de ativações da marca no Rock in Rio.

“O desafio é ser primeiro em relação a picapes”, observou o executivo, enquanto passava justamente pela área do megafestival de música, que começa nesta sexta, 13, onde está exposta a nova Amarok.

A missão da Volkswagen no front das picapes é das mais ingratas. Afinal, entre as compactas, a Strada é imbatível e, de quebra, é o veículo mais vendido do país.

Neste mercado em especial, a Volkswagen até melhorou a performance da Saveiro, que foi reposicionada. A picapinha da Volks vendeu 34 mil unidades, mais de quatro vezes mais do que emplacou nos oito meses de 2022 (8.368).


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Porém, a Strada está anos-luz à frente em termos de licenciamentos e vendeu bem mais que o dobro que sua principal concorrente em 2024: 87.211 unidades.

“Com a Saveiro precisamos mantê-la posicionada a um preço competitivo e achar oportunidades melhores de custos e volumes de produção”, explica Corassa.

Entre as picapes médias, desafio maior

Outra frente desafiadora – e mais complicada – é a Amarok, que foi renovada recentemente e lançada na Festa de Barretos. A Volkswagen fez uma remodelação na sua picape média – enquanto uma nova geração será produzida lá fora.

Todavia, na categoria de médias também existe não só uma supremacia, como uma espécie de adoração à entidade Hilux. O exemplar da Toyota licenciou 31.771 veículos. A Amarok é a penúltima, com 3.582 unidades, só à frente da novata Fiat Titano.

Ao menos, um alento: desde o lançamento do modelo atualizado, a Amarok vendeu mais de 1.400 unidades em menos de um mês. Mesmo assim, a montadora está ciente de que a categoria é difícil.

“Temos de buscar onde a gente tem oportunidade. A Amarok trabalha na faixa de 300 mil a 350 mil reais, e neste nicho ela é líder. O que a gente precisa enxergar são cenários em outras faixas”, explica o VP de vendas.

Na Argentina, onde é produzida, existem opções mais baratas, com motor 2.0 TDI de 140 cv – aqui a Amarok é vendida só com biturbo V6 de 258 cv. Mas Roger Corassa descarta essa possibilidade: “Não se encaixam no Proconve”.

Todas as fichas na futura picape anti-Toro?

Indago, então, se onde a Volkswagen vai buscar oportunidade no mercado de picapes é com a esperada médio-compacta, que vai brigar com a Toro e faz parte do investimento da montadora no Brasil. O executivo silencia e apenas dá um sorriso no fim da caminhada do Rock in Rio.

Para bom entendedor, o sorriso após uma declaração orgulhosa é o bastante.