

O mercado mundial de autopeças deve registrar queda de 15% nas vendas de 2020 por causa da Covid-19. A conclusão vem de um estudo da Bain & Company. Os reflexos da pandemia serão sentidos até a metade da década.
De acordo com a consultoria, apesar da recuperação nos próximos cinco anos na comparação com 2020, ainda serão registradas quedas significativas. A projeção é que o mercado de autopeças tenha entre 2021 e 2025 uma variação negativa entre 4% e 8% na comparação com as projeções anteriores à crise.
Os maiores impactos ocorrerão no fornecimento às montadoras. No Brasil, o faturamento das fábricas de autopeças no acumulado até abril já recuou mais de 30%. A Bain & Company ressalta que os dados da pesquisa não incluem o mercado chinês.
“A crise vai afetar especialmente a venda de carros novos. Mas o momento também pode representar algumas oportunidades. Nesse contexto, o Brasil pode aproveitar para aumentar a exportação a alguns países”, recorda Carlos Libera, sócio da Bain & Company.
Ainda de acordo com a consultoria, os resultados serão determinados pelo novo comportamento dos motoristas. Com o isolamento social e o receio de contágio pelo novo coronavírus, as pessoas passarão a transitar em pequenas distâncias e dirigir menos. Esse comportamento deve permanecer pelos próximos anos. Outros fatores importantes a considerar são a incerteza econômica e o desemprego decorrentes da pandemia.
A Bain & Company adverte que as empresas precisarão investir em comunicação, fidelização do cliente e oferecer serviços adicionais para reconquistar o mercado. Será preciso ter preços competitivos e adotar medidas direcionadas como revisões gratuitas em veículos, contratos de serviço de longo prazo e extensão das garantias.
VENDA GLOBAL DE VEÍCULOS CAIRÁ QUASE 20%
A Bain & Company recorda que algumas atividades como a venda de veículos estão sofrendo os efeitos da pandemia com maior intensidade e que o cenário geral de desaceleração prolongada parece mais provável, com queda global de vendas estimada em 29% para 2020.
Para essa análise foram consideradas a configuração do mercado do primeiro trimestre de 2020, avaliações colhidas com especialistas em várias regiões, as medidas para enfrentar a Covid-19 em cada país e o desenvolvimento do cenário econômico esperado. No Brasil, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a projeção de queda nas vendas é de 40%.