
Em sua visão, as empresas precisam inovar mais, agregar conteúdo tecnológico e convergir os preços dos veículos para níveis globais. “Somente se fizermos isso seremos competitivos”, afirmou o executivo, que participa na segunda-feira, 6, do Workshop Indústria Automobilística – Planejamento 2013, promovido por Automotive Business no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo.
A agregação de conteúdo tecnológico depende da criação de uma legislação de eficiência energética para o setor, com metas de emissão de CO2, que está em discussão entre empresas e governo. Hoje, apenas a Índia e o Brasil não possuem legislação voltada para o tema.
De acordo com Cardamone, a regulação estimularia o desenvolvimento de tecnologias pelas empresas, além de beneficiar o consumidor com a redução de gastos com combustíveis. “Isso aconteceu no mundo inteiro. A legislação impulsiona a tecnologia, que provoca melhoria nos automóveis”, diz.
Na visão do consultor, uma meta adequada seria reduzir a emissão atual, de 174 gramas de CO2 por quilômetro, para 135 gramas até 2016, queda de 22%. Ele estima que o aumento de US$ 850 de conteúdo tecnológico local no veículo geraria 18,5 mil novos empregos na cadeia produtiva.
Em comparação com outros países, o Brasil ainda está defasado em relação à emissão de gases geradores de efeito estufa, com produção de 25% mais motores simples do que a média mundial. Os motores mais eficientes feitos no País são destinados à exportação, pois os demais países têm regulamentação.
Na Alemanha, por exemplo, não há produção de motores simples e a indústria tem trabalhado em veículos híbridos e elétricos. “O Brasil está no nível da Indonésia, mas não somos uma ilha. Somos uma indústria com alta capacidade de produção”, afirmou. Ele também defendeu a criação de um eficiente programa de reciclagem no País.
PREVISÕES PARA VEÍCULOS LEVES
Apesar dos desafios vividos pelo setor, as vendas devem ter um bom ritmo de crescimento nos próximos anos. Segundo projeções apresentadas por Cardamone, as vendas devem somar 5,2 milhes de unidades em 2019. Em 2012 a previsão é de 3,5 milhões de veículos leves. Em toda a América do Sul, as vendas atingirão 8 milhões de unidades em 2019. Este ano somarão 5,5 milhões de leves. “É um mercado bastante razoável”, disse. A produção no Brasil deve sair de 3,26 milhões de unidades em 2012 para 4,81 milhões em 2019.
Um fenômeno importante no mercado atual é o aumento no número de lançamentos de veículos, fruto do aumento da competição e da maior capacidade de compra do brasileiro. Neste ano serão 13 lançamentos.
O avanço das montadoras asiáticas também é um fator relevante: de 2008 a 2018, a fatia dos asiáticos deve passar de 12% para 24,6% do mercado de veículos leves no Brasil. As quatro grandes montadoras que atuam no País há mais tempo – Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford – cai de 77,2% para 61,6% no mesmo intervalo.
CAMINHÕES E ÔNIBUS
O mercado de veículos pesados tem previsões menos otimistas, segundo as projeções apresentadas por Cardamone. No segmento de caminhões, as vendas devem chegar a 149 mil unidades, abaixo das 173 mil vendidas no ano passado. Parte do recuo é explicada pela compra antecipada de caminhões Euro 3, mas as reduzidas previsões de crescimento do País também impactam o mercado.
Ao contrário do esperado, as obras para os eventos esportivos nos próximos anos não têm impulsionado o mercado. “Muito se fala no impacto de Copa e Olimpíadas, mas a pergunta que faço é: onde estão as obras?”, afirmou, destacando que há muitos atrasos. No segmento de ônibus, também deve ocorrer queda nas vendas, mas o recuo será menor. O volume deve passar de 35 mil em 2011 para 31 mil unidades este ano.
Assista à entrevista com Paulo Cardamone