
Os empregados envolvidos nesta nova licença já estão cumprindo paradas programadas pelo PPE, Programa de Proteção ao Emprego, bem como os demais trabalhadores da unidade, que prevê a redução de 20% da jornada de trabalho. A montadora informa por meio de sua assessoria que serão concedidos quatro dias de PPE por mês até maio, quando termina a vigência do programa e quando planeja reavaliar a continuidade da medida. Os demais dias parados serão considerados como licença remunerada.
Segundo a Mercedes-Benz, o novo afastamento é reflexo do fraco desempenho das vendas já registrado no início deste ano, que começou pior do que o cenário visto em 2015, o que consequentemente afeta a produção. Só em janeiro, o volume de emplacamentos totais de veículos comerciais pesados – que inclui caminhões e ônibus – caiu 43,5% na comparação com igual mês de 2016, fazendo o segmento voltar aos níveis de produção de 1999 (leia aqui).
Na fábrica de São Bernardo, que emprega 10 mil pessoas, são montados caminhões, chassis de ônibus, motores e transmissões. Os trabalhadores da unidade gozaram de férias coletivas entre 21 de dezembro e 11 de janeiro, retornando às atividades no último dia 12.
Para o sindicato dos metalúrgicos do ABC, a licença remunerada não interfere no que já está acordado dentro do PPE, que garante até 12 meses de estabilidade de emprego.
No ano passado, a Mercedes-Benz adotou diversas medidas a fim de evitar demissões, principalmente na unidade paulista, concedendo folgas, esgotando banco de horas, férias coletivas, layoffs e PDVs. Em agosto de 2015 decidiu aderir ao PPE em comum acordo com o sindicato dos metalúrgicos do ABC após anunciar a demissão de 1,5 mil funcionários e enfrentar greve por sete dias (leia aqui). Nos últimos três anos, a empresa cortou cerca de 3 mil vagas de seu quadro no Brasil.