
O veículo só poderá ser comprado com 100% do que é oferecido pela linha de crédito quando o índice de nacionalização subir mais um patamar e passar de 60%, o que deve acontecer em 2015. Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz para o Brasil, espera, inclusive, superar essa marca. “Podemos chegar a 70% de conteúdo local”, aponta.
O projeto de nacionalização do caminhão consome parte do investimento de R$ 2,5 bilhões que a empresa anunciou para o período de 2010 a 2015. O programa envolve 500 profissionais no Brasil, 100 na Alemanha e 60 fornecedores. Até agora, 16 protótipos foram testados por 2 milhões de quilômetros. Nessa fase o veículo já tem eixos, suspensão a ar, sistema elétrico e sistema pneumático de freio nacionais.
Em seguida, para alcançar o objetivo e fazer com que o caminhão tenha acesso completo ao Finame, a companhia instalará motor e sistemas de combustível e de direção hidráulica nacionais. Conforme adiantado pela empresa durante a Fenatran, em outubro de 2013 (leia aqui), o propulsor será o OM 457, fabricado na planta da organização de São Bernardo do Campo (SP), que hoje equipa o Axor, mas receberá nova calibração para atender as versões rodoviárias 6×4 e 6×2 do extrapesado, que tem capacidade para transportar até 80 toneladas.
“As aplicações no Brasil são muito diferentes das vistas na Alemanha, por isso precisamos de tanto tempo de desenvolvimento”, explica Alexandre Nogueira, que lidera o projeto de nacionalização do Actros. Segundo o executivo, o País é referência em aplicações severas, com caminhões que rodam com mais carga e em rodovias nem sempre adequadas.
MERCADO E PRODUÇÃO
O Actros é produzido na fábrica da organização em Juiz de Fora (MG), destacada pela liderança brasileira como a mais moderna da companhia no mundo. Reinaugurada em 2012 a planta ainda está em fase de aceleração da produção do Actros e do Accelo, dois únicos modelos feitos ali.
Há capacidade para produzir 20 mil veículos/ano em um turno de trabalho. Em 2012 foram fabricados 10 mil unidades, número que subiu para cerca de 13 mil caminhões no ano passado. Mil deles foram do Actros. A empresa aponta que existe potencial para chegar perto de dobrar o volume este ano, mas evita especular e prefere esperar para ver o que vai acontecer. “O segmento de extrapesados deve continuar a crescer”, acredita Schiemer.
O executivo aponta que, apesar das incertezas sobre os efeitos da realização da Copa no Brasil para a economia, o mercado de caminhões deve se manter estável ou apresentar leve expansão sobre 2013. “Repetir o resultado de 150 mil veículos não é nada mau”, defende. Segundo ele, além da expectativa de nova safra recorde de grãos e de perspectiva de que o segmento de construção civil se mantenha aquecido, o evento esportivo poderá aquecer o consumo no país.
A Mercedes-Benz alcançou no último mês de dezembro a liderança do mercado de caminhões. Apesar de a MAN ter se mantido no topo do ranking de vendas no fechamento do ano, Schiemer mostra apetite para brigar por este posto. “Queremos pelo menos manter o que conquistamos no ano passado. Com o trabalho que temos feito e a nossa grande rede de concessionárias o ganho de participação será consequência”, declara. Para atrair os clientes, a companhia prepara uma série de lançamentos para este ano. Entre eles estão o Atego com câmbio automatizado. “Será o primeiro semipesado equipado com essa tecnologia”, garante Schiemer.
EFICIÊNCIA
A Mercedes-Benz também tem o desafio de aumentar a eficiência de sua operação no Brasil. Alexandre Nogueira garante que a solução não estaria em simplesmente em transferir mais linhas de veículos da tradicional planta de São Bernardo para a moderna fábrica de Juiz de Fora. O ideal é encontrar um balanço entre as duas unidades, até porque, em São Bernardo, além dos caminhões – que somaram cerca de 33 mil unidades em 2013 – são fabricados motores e chassis de ônibus.
“Estamos em busca de otimização para os processos das duas plantas. Queremos elevar a eficiência e São Bernardo do Campo é muito caro”, conta Shiemer. O executivo admitiu que a questão da redução de custos está em discussão com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
O dirigente aponta que a companhia tem a meta anual de atingir 4% de ganho de produtividade. “A ideia é que no fim deste ano a gente consiga fazer 4% mais veículos usando os mesmos recursos.” Traduzindo em números, a empresa pretende manter o mesmo nível de investimento, mas chegar ao fim deste ano produzindo 208 caminhões por dia no lugar dos atuais 200/dia.
