
“O aumento do uso de internet para compras impacta diretamente nosso negócio, porque cria um desafio logístico complexo ao elevar o volume de cargas fracionadas para entregas rápidas em ambiente urbano, que necessariamente aumenta a demanda por VUCs (veículos urbanos de carga)”, afirma Schaal. Segundo o executivo, este é um dos principais fatores que deverão reaquecer o movimento em seu setor na Mercedes. Em 2016, acompanhando a retração da economia, as vendas da Sprinter caíram 30%, para 4.814 unidades, sendo 2.219 vans de passageiros, 1.592 furgões de carga e 1.003 chassi-cabine para diversas implementações.
Este ano a divisão das vendas entre segmentos deve mudar e pender mais para o lado dos modelos chassi-cabine, que pelos cálculos da Mercedes terá o maior aumento de demanda, com crescimento de volumes vendidos previsto entre 10% e 15% em comparação a 2016. Nessa faixa de pequenos caminhões classificados como semileves (de 3,5 a 6 toneladas de peso bruto total, PBT), a Mercedes atua com três versões da Sprinter: 313 Street (3,5 t e motor de 129 cv), 415 (3,88 t e 146 cv) e 515 (5 t e 146 cv), configuráveis com dois comprimentos de entreeixos de 3,66 e 4,32 metros, que podem ser implementados com vários tipos de carrocerias, como baú comum ou frigorificado, caçamba aberta, basculante ou para transporte de bebidas, para levar de 2 a 3 toneladas de carga. Todos esses arranjos permitem a livre circulação em trechos urbanos, tanto pelo enquadramento na legislação de VUCs como pela capacidade física de trafegar nos espaços mais apertados das cidades.
Já para as versões de furgões de carga da Sprinter (313, 415 e 515) a expectativa é de aumento menor, de 5% a 10%, enquanto as compras de vans de passageiros (415 e 515) devem ficar estáveis. No total, portanto, a Mercedes conta com avanço estimado de 5% a 10% para toda a linha Sprinter – que este ano completa 20 anos no mercado brasileiro com 125 mil unidades já vendidas desde a introdução do furgão MB 180, em 1997. Todas as Sprinter vendidas no Brasil são montadas pela Mercedes na Argentina, com grande volume de peças importadas.
“Estamos com boas expectativas em relação ao mercado em 2017. Também sofremos em 2016, mas agora existem indicadores que nos levam a esperar por crescimento no setor de veículos comerciais”, diz Schaal, citando a esperada safra recorde de grãos a ser colhida nos próximos meses, consumo maior das famílias e elevação dos índices de confiança do consumidor. “O ano começou ainda com dificuldades, mas acreditamos que a partir do segundo semestre voltaremos a crescer”, estima.
