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Mercedes-Benz ganha com sua própria história

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pedro

15 ago 2011

5 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB, de Stuttgart, Alemanha

Poucas marcas conseguem ganhar dinheiro com sua própria história como a Mercedes-Benz. Claro que nessa afirmação estão embutidos os ganhos intangíveis indiretos, que reforçam a imagem da marca e a tornam mais valiosa a cada ano que passa – e já se passaram 125 anos desde que Gottlieb Daimler e Karl Benz inventaram o automóvel e as duas empresas que deram origem à Mercedes-Benz. Mas no caso da marca da estrela de três pontas a história é também um ativo bem real, que coloca recursos em caixa.

Para manter seu museu e um centro de atendimento a clientes interessados em comprar peças ou carros antigos restaurados da marca, a Daimler AG não precisa injetar dinheiro de seu caixa. Muito pelo contrário, as duas instituições que preservam a tradição de seu próprio nome são auto-sustentáveis e ainda dão um pouco de lucro.

O novo Museu Mercedes-Benz (foto acima), em Stuttgart, na Alemanha, já recebeu desde a sua inauguração, em 2006, mais de 3,5 milhões de visitantes em seu espaço de 16,5 mil metros quadrados dedicados à exposição de 160 carros clássicos, a começar pelo Benz Patent Wagen, o triciclo motorizado patenteado por Karl Benz em janeiro de 1886, que deu início à história do automóvel. O edifício de estilo modernista recebe, em média, 2 mil pessoas e fatura em torno de € 16 mil por dia, algo como € 5 milhões por ano só com ingressos (€ 8 por pagante adulto).

Mas o que rende mais é a venda de peças para carros antigos da marca: cerca de € 10 milhões por ano. Por isso a Daimler mantém em seu Classic Center (foto abaixo), também em Stuttgart, um estoque de 40 mil componentes para atender clientes em qualquer parte do mundo. O centro também compra, restaura e vende modelos clássicos da Mercedes-Benz.

Depósito de raridades preciosas

“O centro é auto-sustentável e até dá um pequeno lucro. Ganha-se pouco com restaurações ou compra e venda. O maior negócio é a venda de peças”, explica Günther Bäuerle, um simpático senhor de 78 anos, hoje relações públicas do centro que ajudou a criar. Ele próprio é um clássico da empresa, onde entrou com 21 anos de idade como preparador de carros de corrida da Mercedes-Benz. Bäuerle se aposentou há alguns anos como vice-presidente de peças e serviços para mercados externos da Daimler AG. “Essa empresa me deu tanto que sinto prazer em retribuir isso com meu trabalho eventual aqui”, diz, com os olhos marejados, pouco depois de apresentar o “galpão secreto” com centenas de carros clássicos guardados.

Bäuerle explicou que guardar carros como bens históricos começou pela dificuldade do negócio – e não por uma visão histórica de futuro. “É preciso lembrar que no fim do século 19 ninguém queria carros nem imaginava trocar seus cavalos por aquelas máquinas barulhentas. Então tanto Benz como Daimler guardaram para si as suas primeiras invenções e a tradição foi iniciada”, conta. Assim toda a história da Mercedes-Benz foi preservada ao longo de 125 anos, inclusive sobrevivendo a duas guerras que reduziram a pó boa parte das fábricas. “Na Segunda Guerra Mundial todos os arquivos e carros foram guardados longe de Stuttgart para não serem destruídos pelos bombardeios.”

O Classic Center também garimpa preciosidades da marca pelo mundo todo. Bäuerle destacou um recém-adquirido 300 SL “asa de gaivota”, de 1955, encontrado recentemente na Califórnia, Estados Unidos, que foi comprado pelo Classic Center e está sendo restaurado. Quando estiver pronto, seu motor 3.0 de 235 cavalos com injeção direta (a primeira usada comercialmente em um automóvel) estará funcionando perfeitamente. “Não vou dizer quanto pagamos nem por quanto venderemos, mas o preço de mercado deste carro gira em torno de € 700 mil”, diz. O valor está diretamente ligado à raridade do modelo: apenas 1,4 mil unidades foram fabricadas, o que transformou o agora quase sexagenário 300 SL em sonho de consumo, tanto no passado como no presente.

O Classic Center Mercedes-Benz também cuida de toda a frota histórica da empresa, composta atualmente por 700 raridades sobre rodas: 160 estão no museu, 80 estão emprestados para exposições ao redor do mundo e o resto são carros de reserva, desde protótipos que nunca entraram em produção até alguns modelos mais recentes que, um dia, serão clássicos.

Na oficina do Classic Center (foto acima), onde trabalham 25 técnicos que podem levar até um ano para restaurar um só carro, também são recebidos preciosidades de colecionadores da marca, entre os quais se incluem reis e sultões. O sultão de Brunei, por exemplo, está restaurando lá o seu 300 S Coupe.

Todo esse valor histórico em torno da marca acabou até por subverter o conceito de carro usado. Em algumas concessionárias da Mercedes-Benz na Alemanha, existem áreas dedicadas aos chamados “Young Classics” (jovens clássicos), onde ficam carros à venda com cerca de 20 anos de idade, em perfeito estado de conservação. Assim, por valores em torno de € 25 mil dá para começar uma coleção de Mercedes-Benz – e virar cliente eterno da marca.