
Com a oferta renovada por modelos eletrificados, a montadora acredita que o entrave para uma aplicação mais massiva desses veículos na região, agora, não está mais nas mãos da indústria.
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“Nenhum desses modelos aqui são protótipos, são todos produtos de linha”, disse a futura CEO do Grupo Daimler, Karin Radström, no domingo, 15, durante o evento que acontece em Hannover, na Alemanha. “O que precisamos agora é de que o poder público aumente a oferta de postos de recarga para descarbonizar a Europa”, concluiu a executiva.
Ainda que o assunto esteja sendo discutido há mais tempo na Europa do que em outras regiões do mundo, na esteira de uma agenda de emissões zero criada pelo bloco europeu que envolve vários setores econômicos, o problema ligado à infraestrutura insuficiente ainda é algo que limita as pretensões ambientais. Vale lembrar que isso ocorre não apenas na Europa, mas na maior parte do mercado ocidental.
Pelas contas da Mercedes, é preciso criar até 2030 uma rede de recarga para caminhões na União Europeia que tenha, no mínimo, 35 mil estações. Atualmente, ainda segundo a montadora, existem por volta de 600 unidades aptas para realizar cargas rápidas em modelos pesados.
Mercedes cria marca de carregadores elétricos

Enquanto cobra o poder público e aguarda uma solução a respeito dos carregadores, a fabricante trabalha para passar uma mensagem de que já tem uma oferta pronta de caminhões para o segmento denominado novas tecnologias, os quais envolvem basicamente modelos dotados de powertrain elétrico.
O principal deles, apresentado pela primeira vez na feira alemã, é o eActros 600.
Apesar do que o nome sugere, o modelo a bateria tem uma autonomia para percorrer até 500 quilômetros. Os 600 se referem à capacidade de fornecimento de tensão da bateria, no caso, 600 quilowatts por hora. Com isso, o veículo pode gerar força motriz suficiente para transportar até 40 toneladas. Sua produção começará em novembro na fábrica alemã de Wörth.
Uma versão elétrica do Actros foi mostrada pela primeira vez na última edição da IAA Transportation, em 2022. Naquela oportunidade, no entanto, o modelo apresentado era uma espécie de protótipo da versão final vista neste ano, como é possível ver aqui.
As diferenças são possíveis de observar no desenho da cabine, que foi atualizado com o da família Pro de cabines — ainda incerta para desembarcar nos caminhões da Mercedes no Brasil. E se isso acontecer, disse o chefe de testes da Daimler, Cristof Weber, haverá mudanças.
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“Uma das diferenças que existem nas cabines europeias, na comparação com as que tem no Brasil, é a questão da aerodinâmica, enquanto que no Brasil se prioriza mais a potência. Isso porque as estradas aqui são mais planas, então a redução de consumo de combustível se dá também pelo menor arrasto”, contou. Weber trabalhou na Mercedes-Benz do Brasil entre 2014 e 2018.
A falta de estrutura de recarga, que levou a companhia a cobrar os agentes públicos, também se mostrou como uma oportunidade de negócios para a fabricante no continente europeu. Tanto que a empresa lançou uma nova marca na feira alemã, a Truckcharge.
Além da oferta de carregadores, estão no catálogo da marca serviços de consultoria para frotistas de caminhões elétricos e, também, gestão de frotas por meio de ferramentas interativas.
Resta saber se o poder público recorrerá a essa solução privada da Mercedes para acelerar a eletrificação da frota de caminhões local. Se essas tecnologias chamarem a atenção dos governos, assim como chamou a dos chineses no evento, um grande passo comercial foi dado.

