Em entrevista a jornalistas brasileiros durante a apresentação do ônibus com direção autônoma que passa a circular ainda com motorização diesel em testes no corredor BRT de Amsterdã, na Holanda (leia aqui), Schick relevou que está em curso na divisão que dirige um novo programa de desenvolvimento de veículos, com investimentos de € 200 milhões até 2020, que inclui a unificação dos sistemas eletrônicos de todos os ônibus a partir de 2018 e a introdução de modelos elétricos a bateria, que também poderão ser equipados com sistemas de condução autônoma em diversos níveis.
Como forma de compensar a curta autonomia que as baterias atuais proporcionam, os ônibus elétricos a bateria que circulam atualmente em algumas cidades europeias trafegam em corredores equipados com sistema de recarga rápida em alguns dos pontos de parada. O objetivo da Mercedes, diz Shick, é aumentar gradativamente esses intervalos de recarga com baterias de maior potência e tamanho parecido com as que são usadas atualmente. “Queremos reduzir o custo. A meta é lançar em 2018 veículos com baterias de 180 kWh, passando para 250 kWh em 2020 e 600 kWh em 2025”, afirma o executivo.
Schick estima que a potência máxima das baterias atuais já seria suficiente para atender a necessidade de 20% da frota mundial de ônibus, que circula em percursos curtos e poderia ser recarregada somente em terminais. “Com a evolução das baterias, até 2025 quase 100% dos ônibus elétricos poderão ser recarregados só uma vez por dia”, diz.
Com essa evolução, Schick prevê que o custo total de operação dos ônibus elétricos começará a ficar parecido com o dos veículos diesel, tornando a tecnologia viável e amplamente utilizada em todo o mundo. “É uma necessidade tornar a tecnologia competitiva, pois nos próximos cinco anos muitas cidades europeias deverão retirar os incentivos oferecidos atualmente para os ônibus elétricos”, pondera o executivo. Ele avalia que a eletrificação também deverá chegar nos próximos anos ao Brasil, onde a Mercedes-Benz tem seu centro de competência mundial para o desenvolvimento de chassis.
“Independentemente da situação econômica atual, em anos normais se vendem no Brasil 25 mil ônibus, é mais do que os 24 mil consumidos por ano na Europa inteira, é terceiro maior mercado mundial, só fica atrás da China (150 mil/ano) e Índia (50 mil/ano). Por isso, o País também deverá seguir as tendências globais, mesmo que com alguns anos de atraso”, finaliza Schick.