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Paulo Ricardo Braga, AB
A Mercedes-Benz iniciou na terça-feira, 19, na fábrica de São Bernardo do Campo, SP, o InterQuality 2011, evento anual com fornecedores para apresentação, análise e debates sobre produtos e processos de produção. O encontro prossegue até a quinta-feira, 21, e tem como temas principais tecnologia, inovação e novos produtos. Estarão em debate, ainda, sustentabilidade ambiental, logística e qualidade.
Como pano de fundo, estará em análise o impacto da nova legislação de emissões Proconve P7. A fabricante já completou o desenvolvimento de seus veículos P7, utilizando a tecnologia BlueTec5, que representa a resposta da marca aos desafios do tratamento de emissões.
O InterQuality reúne 700 pessoas de mais de 300 empresas e recebe diretores e executivos de empresas fornecedoras, além de profissionais com os quais as equipes da Mercedes-Benz mantêm contato no dia a dia.
Os participantes podem encontrar respostas a suas questões em tendas temáticas montadas ao lado do auditório do Centro de Treinamento, local das palestras. Uma delas demonstra as tecnologias BlueTec 5 e o resultado dos testes com biocombustíveis alternativos, como diesel de cana e biodiesel. Em outra tenda, uma equipe de gestão ambiental destaca as ações e práticas de sustentabilidade realizadas pela empresa nas unidades fabris e junto à comunidade.
Campanha educativa
A Mercedes entende que boa parte no sucesso da introdução do Proconve P7 dependerá de campanhas educativas para esclarecer as exigências das novas tecnologias. Por isso, a empresa já empreende ações com essa finalidade, explicando como funcionará a tecnologia BlueTec 5 aplicada aos novos motores.
O BlueTec 5 promete reduzir em 80% a emissão de material particulado e em 60% a emissão de óxidos de nitrogênio, transformando-os em nitrogênio puro e vapor d’água, inofensivos ao meio ambiente. A tecnologia melhora a combustão do motor e trata os gases do escapamento. Para isso, explica a Mercedes, um reservatório específico deve ser abastecido com uma substância não tóxica denominada Arla 32 (Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo), que é uma solução aquosa de ureia em água a 32%.
O Arla 32 estará disponível nos revendedores da marca e haverá também distribuição de várias fontes. Os transportadores provavelmente terão tanques de estocagem em seus centros operacionais e os postos de combustível estão se preparando para atender a demanda. O filtro de Arla 32 nos veículos será trocado a cada dois anos.
O Arla, colocado em tanque separado do diesel, é bombeado para uma válvula dosadora, que recebe informações da central de processamento eletrônico para controlar a injeção do produto diretamente no duto de escape. A reação química transforma os óxidos de nitrogênio em material inofensivo.
Combustível
O motor P7 exige combustível limpo. Gilberto Leal, gerente sênior de desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz do Brasil, lembra que o diesel ideal para os motores Euro 5 é o S10 (com apenas 10 partes de enxofre por milhão, ou 10 ppm), mas o S50 permitirá funcionamento adequado.
Caso o abastecimento não seja feito com diesel de baixo teor de enxofre, Leal destaca que o OBD, sistema de diagnose eletrônico, irá detectar isso e, depois de um certo número de ocorrências, reduzirá automaticamente a potência do motor (25% para veículos até 16 toneladas e 40% nos maiores que isso), para evitar danos maiores. Isso só acontecerá quando o motor for religado, nunca com o caminhão em funcionamento.
A Mercedes já admitiu que os novos veículos Euro 5 serão 8% a 15% mais caros que os atuais e deverão gastar 5% de Arla 32 para cada tanque de diesel. O preço do diesel S50 ainda não foi definido pela Petrobras.