
“A Mercedes tem feito esforço enorme para manter sua força de trabalho e fazemos o possível para informar os colaboradores sobre a situação. O comunicado faz parte dessa política de transparência. Informamos que a produção recuou, por isso tomamos medidas para reduzir custos e evitar demissões”, disse a Automotive Business o vice-presidente de recursos humanos da Mercedes-Benz do Brasil, Fernando Fontes Garcia. “Até agora ninguém foi demitido e temos dialogado constantemente com o sindicato para encontrar alternativas”, acrescentou.
A produção dos fabricantes de caminhões no País já recuou quase 40% de janeiro a julho e as vendas caíram 17% em relação ao mesmo período de 2011. A Mercedes-Benz teve retração dos emplacamentos de 15%, um pouco menor do que a média do mercado.
Nesse cenário, Garcia diz que a empresa já fez de tudo um pouco para cortar a produção sem demitir pessoal. Em abril foram concedidas férias coletivas de 10 dias. Em 14 de maio houve parada da fábrica. Lançando mão do banco de horas, de 21 a 25 de maio a Mercedes-Benz decretou folga coletiva para todos os trabalhadores ligados à produção, o que voltará a se repetir na próxima segunda-feira, 3 de setembro. No fim de maio 1,5 mil empregados foram colocados em lay off até novembro próximo. Atualmente São Bernardo opera em dois turnos em alguns setores e em apenas um turno em outras áreas. Dos 13 mil funcionários no Brasil, 9 mil trabalham na produção – ou seja, pelo cálculo da própria companhia, um terço da força de trabalho estaria ociosa na situação atual.
ESPERANÇA DE RECUPERAÇÃO
“Temos esperança na recuperação do mercado e por isso não queremos fazer demissões, pois acreditamos que vamos precisar desses empregados qualificados no futuro próximo, quando a produção deve voltar aos níveis normas”, afirma Garcia. “O desafio é grande. Já usamos boa parte dos recursos que tínhamos. Mas ainda temos algumas medidas que podemos adotar”, disse. O executivo informou que ainda está em negociação com o sindicato sobre os novos passos que deverão ser dados a partir da semana que vem, por isso ainda não podia detalhar quais medidas serão tomadas.
Garcia também garantiu que a Mercedes-Benz se considera incluída no acordo com o governo de não fazer demissões enquanto vigorarem os incentivos concedidos à indústria – no caso, a redução da taxa de juros da linha Finame do BNDES para 2,5% ao ano para a compra de caminhões, entre outras medidas (leia aqui).
Os problemas são menores na fábrica de Juiz de Fora (MG), que este ano começou a produzir os caminhões Accelo e Actros. “Lá o ritmo de produção é menor e o Accelo está vendendo bem, por isso não precisamos cortar a produção”, informou Garcia.