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de carro por aí

Mercedes CLA. A Mercedes vira a esquina

Um dos melhores jornalistas especializados em automóvel no Brasil é o português Fernando Campos. Mora em Goiânia onde produz o bom programa de TV Rodas & Motores. Talento desperdiçado, superior ao mercado, o culto luso é analista de primeira qualidade. Dele é a chamada Teoria da Esquina, sintetizada como o momento em que o desenvolvimento tecnológico chega a um ponto que se diferencia do caminho comum, vira a esquina e cria nova avenida imediatamente frequentada. Assim ocorreu com o Ford Modelo T, os Citroën 2 CV, 11L, ID/DS, o Volkswagen, o Jeep, a Rural… A meu ver o Mercedes CLA está nesta situação.
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Redação AB

24 jan 2013

10 minutos de leitura

Recém-apresentado no Salão de Detroit, lançado na Mercedes-Benz Fashion Week, semana passada em Berlim, lista de encomendas aberta e entregas a partir de abril.


O Porquê

É automóvel de entrada para marca hoje dita Premium. Motores de 1.6 a 2.0, 120 a 211 cv seguindo futuras regras europeias, transmissão mecânica, sete marchas, de duas embreagens, funciona como automática. O topo é versão AMG, e comercialmente várias versões diferenciando-se por motorização casada com complementos de decoração, segurança e confortos. Motor transversal, tração dianteira com opção de tração em todas as rodas.

Foge à ditatorial simplificação ou do preço menor através da economia global, e do carro menor ter desenho diferenciado, menos tecnologia, equipamento ou engenharia que o médio ou o grande. O CLA não é um sub Classe A, posicionado em compartimento superior, junto com os B, C, E e S.

Houve excepcional cuidado no projeto, um desafio a todas as áreas, de projeto a construção, incluindo desenvolvimento aerodinâmico, obtendo-se Cd 0,22, o menor da marca e grande auxiliar de performance, redução de consumo e de emissões. Porta invejável pacote de eletrônica e segurança, como veículos de maior classe e cilindrada, em especial sistemas de frenagem baseados em radar, e pelo entrosamento eletrônico para adequar-se aos usuários, de idade menor, e seus equipamentos digitalizados.

Na prática a Mercedes saiu do caminho anteriormente aberto – sem bons resultados com os Classe A e B, em futurísticos desenhos, mas hoje falando a linguagem de estilo da marca – e tomou uma via própria. O CLA é Mercedes em aparência e proposta, porém adequado a clientes desejando um Mercedes, ou entendendo não precisar de carros maiores em tamanho, consumo e emissões – um dado que o mercado brasileiro desconsidera.

Terá grande amplitude, no caminho forçado pela legislação de autopreservação dos novos tempos: carros e motores menores sem perder performance ou potência.

Ultrapassará as fronteiras alemãs fornecendo base para a Nissan fazer modelo de entrada na marca Infiniti, sua marca de luxo. Para nós, sul-americanos, muita importância. Como a Coluna antecipou em outubro, o Nissan luxuoso e o CLA serão construídos em 2015 na fábrica que a Nissan operará em Resende, RJ, no próximo ano.

Como dirá o articulado Campos, “com o CLA viramos uma esquina, ó pá”.



Mercedes CLA. Novo caminho, nova tendência.

Rely, a Chery do B, vendida pela Venko

Mercado de automóveis tem dobras e voltas inimagináveis. Uma delas se apresenta agora. A Chery chegou ao Brasil representada pela Venko, braço de bem sucedida empresa de fornecimento de merenda escolar. Montou rede com mais de 100 pontos, vendeu quase 45 mil unidades. Porém a montadora chinesa achou que era muito mercado para um representante, veio, assumiu o negócio, toca, importa e constrói fábrica em Jacareí (SP).

Quando se pensou que a Venko ficaria usufruindo do recebido no devolver o negócio, ela se acertou com a compradora: representar a marca pelos pequenos comerciais da marca e veículos maiores, não incluídos no plano de produtos da filial brasileira. Utiliza a marca Rely e começa com 30 concessionários.

As picapes são restritas, com motor 1.0, 64 cv – potência inferior aos 1.0 brasileiros. Pelas pretensões de transportar 800 kg de carga mais motorista e ajudante, os cavalos chineses sofrerão. Outro produto em breve, van de sete lugares, mesma motorização.

Diz a empresa, garantia de um ano ou 30 mil km; iniciar operações com estoque de peças e componentes cobrindo 90% dos atendimentos. Preço do Rely picape em R$ 29.990, – mesmo valor de picape VW Saveiro, motor 1.6.

Informa, das quatro marcas importadoras de mini utilitários chineses a Rely estará no topo, com produtos com ar condicionado, direção hidráulica. Estuda montá-los no Uruguai, onde tinha acordo comercial para montar o Chery Tiggo quando o distribuía.

No primeiro semestre quer expandir a rede de distribuição pelo Sudeste e Sul. Após, Norte e Nordeste e ampliar na região Centro-Oeste.



Picape Rely.

Roda-a-Roda
Padrão
– Salão de Detroit, primeiro do ano, sinalizou: novos carros não são 2013, mas 2014. Evitam o número 13 temido pelos estadunidenses – ou, as montadoras seguiram o modelo político brasileiro.

Aqui – Apressados, sem pensar no País, apenas em interesses pessoais, pulou-se o cronograma do ano de realizações, anterior ao ano de campanha, e o ex-presidente Lula, para evitar as explicações que a todos deve, iniciou campanha: criou o factoide de espraiar sua capacidade de gestão, ao humilhar o novo prefeito paulistano dando as regras; quer tutelar oficialmente o governo federal; fazer caravana pelo país.
Guinada – Deu certo o golpe de direção dado pela Renault, mudando o rumo comercial. Plantou nos mercados extra Europa e colheu, vendendo em 2012 quase 1,3 milhão, mais de metade do seu total. Atestado do acerto, na Europa as vendas da marca caíram 18%.

Destaques – Brasil e Rússia são 2º e 3º mercados – lá, controlando a Autovaz, dos Lada, maior do país. Na Europa, por números e futuro, é o maior vendedor de veículos elétricos, 28% do mercado com Fluence Z.E. e Kangoo Z.E.

Anjo Amarelo
– O Mercedes-Benz Classe A levou o maior prêmio automotivo da Alemanha, o Gelber Engel – Anjo Amarelo, por ser o de preferência do mercado. Em imagem, símbolo de ótima soma entre design, imagem, custo x benefício, funcionalidade, eficiência, segurança, relação com o meio ambiente.

Aqui
– No Brasil dia 30, em badalada festa em São Paulo. Venderá muito.

Lição
– Ocupa o lugar mercadológico vislumbrado pela Mercedes, quando preencheu os níveis de entrada com o pioneiro e segundo Classe A. Cálculo certo, automóveis ótimos – derrotados pelo estilo. Embora mais avançado tecnologicamente o novo Classe A é o acaretamento da proposta inicial. Por que? Mercado aceita evolução, mas repele revolução.

Surpresa
– Problemas não faltaram: ausência de produtos, atritos com a pequena rede de distribuição, aumento do IPI, do dólar, mas a Chrysler conseguiu crescer: 31% de expansão, em torno de 7 mil unidades vendidas.
Causa – Produtos, aumento da rede de revendas – de 25 para 40, e chegar a 55 neste ano. Quer crescer 40% (sic) com 10 mil vendas. Aposta no SUV Dodge Durango, Grand Cherokee turbo diesel, linha Jeep liderada pelo Compass. Mais que crescimento, é o sinal da volta ao mercado.
Prêmio – A Fipa – federação de jornalistas de automóveis da América Latina entregou prêmios durante o Salão de Detroit, em meio a executivos das marcas expositoras, recepcionada pela Univision Communications.“Auto de Las Americas” foi o Hyundai i30; “SUV de Las Americas” eleito o Mazda CX-5. “Piloto de Las Americas”, Benito Guerra Jr, mexicano vencedor em 2012 de três rallies: Mexico, Argentina e Espanha.

Lama?
– A Audi inicia vender e apresenta o A6 Avant, station wagon como capaz de enfrentar terrenos difíceis. 20% do peso em alumínio, versões tração dianteira e allroad quattro com tração total e maior altura livre. Motor 3.0 V6, injeção direta, compressor mecânico, 310 cv de potencia e 440 Nm de torque, vai de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos e final de 250 km/h. Transmissão de sete marchas. Na lama por R$ 350 mil? Só vendo.

Sobrevivência
– Para evitar novo Tsunami, a General Motors acelera planos de demitir 20 mil metalúrgicos, e quer encerrar entendimentos com governo alemão e sindicato em fevereiro. Começa fechando a unidade de Bochum, onde faz novo Meriva, ao final de 2014. O entendimento anterior era parar em fins de 2016.

Evidências
– Com a certeza de não ter outro socorro oficial como o ocorrido ao início do primeiro governo Obama quando praticamente estatizada, quer livrar-se dos problemas com luz vermelha. A Europa é um deles. A marca alemã Opel e inglesa Vauxhall somam prejuízos bilionários, e em 2012 perderam 14% de vendas contra a média de mercado de 8%.

Quanto? – Dado não divulgado, o valor pago pela sueca SKF para manter seu adesivo nos carros de Fórmula 1 da Ferrari, onde está desde quando a Ferrari era oficininha em Modena.

Vocação – A Peugeot patrocinará o Flamengo pelos próximos três anos. Tem tradição no campo, fundando o time de Sochaux, sua antiga sede. Fréderic Drouen, número 1 da marca entende, montadora e time comungam em comum o atual slogan Movimento e Emoção.

Responsabilidade
– O Ford New Fiesta a ser produzido a partir de abril na velha e referencial planta do Jeep em São Bernardo do Campo, SP, sairá dos portões com grande responsabilidade: não comprometer a imagem do produto no restante do mundo. É o compacto mais vendido na Europa em 2012.

Pipoca
– A Citroën projeta vídeos no teto de cinemas em Rio e São Paulo. Quer dar a sensação de amplitude visual consentida pelo para brisas Zenith do novo C3, com 80 graus de ângulo de visão. Um test drive virtual com a nova e exclusiva característica. O filme vai para as redes sociais. Assista aqui.

Presença
– No ano de comemorações dos 60 anos oficiais no Brasil, a Volkswagen computa ser o maior fabricante de nossa indústria automobilística. Em 2012, 852.086 unidades e, no largo período, mais de 20 milhões.

Ocasião
– Aproveitando as férias, Peugeot faz promoção aos carros da marca: troca de óleo semissintético do motor e filtro mais inspeção de 22 itens a R$ 190 – direção, suspensão, freios, direção, ar condicionado.
Arrepio – Quase 500 mil pessoas acessaram o YouTube para ver o primeiro episódio dos quatro da historinha de disputa rediviva entre Nelson Piquet e Nigel Mansel, ex campeões de Fórmula 1, dirigindo o novo Ford Fusion. Produção cuidada, em muito lembra o inesquecível Grand Prix , filme de John Frankheimer em 1966. O segundo filmete, com apresentação técnica dos carros está em aqui.



Piquet na filmagem.

Trabalho – Além dos automóveis a JAC Motors distribuirá e depois montará pequenos caminhões – os VUC, veículos urbanos de carga – em sua futura fábrica baiana. Aproveitar as restrições de circulação impostas nas cidades.

T 140 – Produto tem peso bruto de até 3,5t, motor diesel 4 cilindros, Cummins, 2.8 e 140 cv. Quer vender 500 neste ano.
Ajuda – Comprar uma Kawasaki? O Consórcio da marca ajuda, com grupos desde a Ninja 300 com prestações de R$ 245 até a Ninja ZX-6R, a mensais de R$ 634. Mais? [email protected]

Arte
– Fugaz, trêfega, começou e já acabou a exposição em Genebra, Suiça, da TAG Heuer sobre os “50 Anos de Carrera”, sobre a ligação entre relógios e corridas de automóveis, surgida nos anos ’60 tomando por base a internacional e desafiante Carrera Pan Americana da década anterior.

No Ar
– Para atenção de quem voa, o alemão Centro de Avaliação de Dados de Acidentes com Aeronaves a Jato (JADEC), classifica segurança das companhias aéreas. Mais segura é a finlandesa Finnair, e de nossas mais próximas, a portuguesa TAP é sétima. Única brasileira, distante, GOL em 57º lugar e a TAM é 59ª. Veja aqui.

Hobby
– Phoenix Studio, empresa dedicada aos automóveis antigos, produziu o calendário Encontro das Máquinas 2013. Pedro Nossol fez ensaios com automóveis por ela restaurados, bonitas moças. Será item de coleção. A fim? R$ 50 em www.phoenixstudio.com.br .

Gente
– Jörg Henning Dornbush, carioca, empresário, novos rumos. OOOO Deu a grande guinada na BMW no Brasil, implantou produzir motos em Manaus e faz fábrica de automóveis em Santa Catarina. OOOO Saiu por razões não declaradas. OOOO