
Inaugurada em 2016 para produzir até 20 mil carros por ano, a fábrica da Mercedes em Iracemápolis (SP) deve montar em 2018 cerca de 7,2 mil unidades, pouco mais de 35% da capacidade instalada. As vendas da montadora cresceram quase 9% neste primeiro semestre (veja aqui), mas a alta do dólar e a forte dependência de componentes importados são pontos que jogam contra uma produção local de baixo volume com esta.
Ainda assim, a montadora mantém firme a intenção de produzir no interior de São Paulo: “Existe a possibilidade de montarmos o Classe A sedã em Iracemápolis”, admite o gerente sênior de vendas, Dirlei Dias.
“O carro será parte do portfólio da Mercedes-Benz no Brasil, mas ao menos num primeiro momento virá do México”, afirma. A chegada do novo sedã de entrada deve ocorrer no ano que vem. Se a produção nacional se concretizar, o Classe A sedã vai se juntar ao Classe C e ao utilitário esportivo GLA, que hoje respondem por 60% das vendas internas de automóveis da Mercedes no Brasil. A unidade de Iracemápolis opera em um turno, gerando 430 empregos diretos e outros 370 indiretos.
Sobre as implicações da variação cambial sobre a fábrica, Dirlei Dias recorda: “O dólar atual para nós é volátil, acreditamos que volte ao normal após as eleições”, afirma Dias. Ele não cita que patamar “normal” seria este, mas recorda que o fato de a Mercedes-Benz do Brasil ser uma empresa exportadora (de caminhões) permite que haja este balanço em momentos de instabilidade da moeda.
O gerente de vendas lembra ainda que a utilização dos ex-tarifários no Rota 2030 para importar componentes sem similar nacional, como já ocorria desde o Inovar-Auto, ajuda a manter viável a produção local. A empresa tem também créditos a restituir de IPI, que ainda não foram devolvidos, mesmo após o término do programa Inovar-Auto. E terá também direito à dedução de 1% no IPI por ter superado as metas de eficiência energética do Inovar.