
Os trabalhadores da Mercedes decidiram manter a greve por tempo indeterminado iniciada na segunda-feira por não haver avanços na proposta de acordo coletivo feita à montadora. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, permanece o impasse em relação à reposição salarial, ao valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a algumas cláusulas sociais presentes no acordo. Os valores de reajuste e PLR não foram divulgados.
“A montadora não aceita incorporar o reajuste aos salários”, afirma o secretário geral do sindicato e trabalhador da Mercedes-Benz, Aroaldo Oliveira. A direção da montadora rebate: “Não havia necessidade de greve agora porque estamos ainda no meio das negociações com o sindicato. Ainda não tem nada definido”, diz o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer.
O sindicato também quer rediscutir a forma de cálculo da PLR para que se leve em conta a exportação dos itens agregados como motor, câmbio e eixos.
O secretário afirma ainda que a Mercedes-Benz pretende demitir trabalhadores do setor administrativo, informação negada por Schiemer: “Sempre precisamos ajustar nossos custos, mas não existe nenhum programa de demissão.”
De acordo com o sindicato, a Mercedes-Benz quer excluir a estabilidade aos trabalhadores acidentados e a complementação salarial por até 120 dias de afastamento. A montadora emprega cerca de 8 mil colaboradores em São Bernardo do Campo (SP), onde produz caminhões, chassis para ônibus e componentes como motores, transmissões e eixos.
Sobre o cenário de retomada que anima os empregados a pedir mais benefícios, Schiemer alerta: “É preciso lembrar que a situação está melhor que antes, mas a crise ainda não passou. Trabalhamos hoje com ociosidade de 50%. A situação continua volátil. A desvalorização cambial nos preocupa e o crescimento previsto para este ano pode ser menor.”