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Marcelo de Paula, AB
Otimista, o secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, acredita que o setor automotivo possa ter uma política tarifária única para todo o bloco em 2014, quando termina um acordo bilateral entre Brasil e Argentina. O comentário foi feito nesta segunda-feira (30/08), logo após sua participação no simpósio Tendências e Inovação na Indústria Automobilística, que aconteceu no Hotel Sheraton WTC, em São Paulo, evento organizado por Automotive Business e promovido pela SAE Brasil.
Embora o Mercosul seja um bloco de países, muitos acordos são feitos em separado porque as diferenças econômicas são acentuadas. Para piorar, até pouco tempo atrás, esses acordos tinham pouca duração, de um ou dois anos, o que dificultava o planejamento por parte de empresas interessadas em investir. Mas aos poucos isso começa a mudar.
Atualmente, por exemplo, vigora acordo tarifário com prazo de seis anos entre Brasil e Argentina, que não vale para os demais membros. “Esse acordo vigora até 2014. A partir de então, pretende-se que ele se mantenha permanentemente, estendendo-se para os demais participantes do bloco”, comentou o secretário, que complementou. “O alongamento dos prazos possibilitará que o empresariado faça um plano de investimentos, pois haverá segurança de que as regras não mudarão repentinamente”.
Nesta terça-feira, 31, Ivan Ramalho participará, em Porto Alegre, RS, de uma reunião com empresários e representantes do governo paraguaio para discutir uma política em comum para segmento automotivo, a exemplo do que foi feito com a Argentina.
Para Ramalho, apesar do setor ter peso significativo na pauta de comércio exterior, falta a ele se “mercosulizar” o que acontecerá quando as regras forem as mesmas para todos. “Quem investe em um país não está pensando apenas no mercado doméstico, mas no comércio regional. Sendo assim, quando conseguirmos implantar uma política única conseguiremos desenvolver um trabalho mais homogêneo”.
O que dificulta a criação dessa política única é o medo que os governos têm que o efeito seja o contrário do imaginado, levando empresas locais a fecharem por não conseguirem competir num ambiente de alta concorrência. “É compreensível. A Argentina, por exemplo, tem déficit no setor de autopeças nas trocas comerciais com o Brasil”.
Mas a situação do Brasil não é tão confortável. O próprio secretário comentou que o País importa, de várias partes do mundo, cerca de US$ 10 bilhões em autopeças anualmente. Para ele, no entanto, isso pode significar uma gama de oportunidades, pois demonstra que há espaço para investir com o intuito de substituir as importações.
O diretor do Departamento de Indústrias de Equipamento de Transporte, da Secretaria de Desenvolvimento da Produção, Paulo Bedran, que também participou do evento, lembrou que hoje a única tarifa em comum válida para todo o bloco é a taxa de importação de autopeças provenientes de fora do Mercosul.