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Mesmo com dólar alto, exportações de veículos acumulam queda de 7,2%

As exportações de veículos continuam retraídas mesmo com a valorização do dólar. No primeiro bimestre de 2015 as montadoras venderam 47,5 mil unidades em outros países, volume 7,2% inferior ao do mesmo intervalo de 2014. Dados da Anfavea, associação dos fabricantes do setor, indicam que a maior parte deste total, 31,2 mil unidades, foram entregues em fevereiro, resultado 91,8% superior ao de janeiro, mês bastante fraco para os negócios. O volume é ainda 9,2% maior que o de fevereiro do ano passado.
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Giovanna Riato

05 mar 2015

4 minutos de leitura

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-Veja aqui os dados da Anfavea

O segmento que mais contribuiu com a retração foi o de caminhões, com recuo de 11,1% no bimestre, para 2,5 mil veículos e recuperação de 22,2% em fevereiro sobre o mês anterior. Foram exportados 1,4 mil unidades no mês.

A redução dos negócios no segmento de pesados prejudicou as receitas da indústria brasileira com vendas a outros países. Em fevereiro as exportações em valor somaram US$ 860 milhões, montante 31% maior do que o registrado em janeiro, mas 15,5% abaixo das receitas do mesmo mês de 2014.

No acumulado dos dois primeiros meses do ano a queda foi de 20,8%, para US$ 1,51 bilhão. “A redução das exportações de caminhões pesados e de máquinas agrícolas impactou o faturamento”, explica Luiz Moan, presidente da Anfavea. O executivo acrescenta ainda que o setor “continua sentindo a diminuição das exportações para a Argentina, onde o mercado segue em retração”.

A performance dos negócios no início do ano ficou abaixo das expectativas da Anfavea, que projetava crescimento de 1% nas vendas internacionais este ano, para 337,6 mil unidades. Diante do resultado fraco, a entidade prepara uma revisão das projeções, que será divulgada em abril.


ACORDOS COMERCIAIS

A entidade tem alta expectativa para os próximos dias, quando os governos brasileiro e mexicano devem definir o acordo automotivo. Em março de 2012 foram acertadas cotas de importação e exportação de veículos de um país para outro. Este acordo vence no próximo dia 19 de março, o que força as duas nações a acelerar a decisão de quais serão os novos termos. “A parceria é de interesse dos dois países, por isso acredito que não existem chances de ela não ser renovada. Gostaria que ficasse definido prazo maior de, ao menos, cinco anos para garantir maior previsibilidade”, avalia Moan. O dirigente, no entanto, defende que neste momento o regime de cotas deve continuar, ao contrário dos mexicanos, que querem a volta do livre comércio de veículos entre os dois mercados sem cobrança de imposto de importação.

O executivo acredita que o dólar está agora em patamar mais favorável às vendas internacionais, mas, ainda assim, ele lembra que a relação cambial sozinha não poderá salvar as exportações brasileiras. “Não conseguimos exportar por falta de competitividade”, admite. Para ele, essa defasagem é, em parte, consequência do câmbio flutuante, já que os concorrentes do Brasil no mercado internacional de veículos mantêm o câmbio desvalorizado como política de incentivo à exportação. “Em 2004 exportávamos quase 1 milhão de veículos por ano. Muita coisa mudou desde então, mas queremos retornar a essa condição”, determina.

A tarefa de alavancar as vendas internacionais, no entanto, não é tão simples. A relação entre dólar e real não é o único fator que contribui para a queda da presença dos veículos brasileiros em outros países. Moan explica que há o alto custo dos insumos e da mão de obra, além da pesada carga tributária brasileira. “Temos impostos não compensáveis de 9% agregados ao custo de produção. Ou seja, exportamos impostos”, explica. O presidente da Anfavea cita ainda que o País não conta com boas linhas de financiamento às exportações, diferentemente do que acontece em outras nações. “Também tem a questão da falta de infraestrutura logística.”

Para reverter esta situação, a Anfavea trabalha com o governo na criação de um plano nacional de exportações. “Precisamos fortalecer acordos com países andinos, México, buscar integração com a União Europeia no setor automotivo e parceria com países do continente africano. Um grande desafio para o Brasil será ainda a abertura comercial para os Estados Unidos.” Esta última parceria almejada por Moan parece pouco provável, já que o mercado norte-americano é mais focado em veículos maiores do que os feitos no Brasil, tradicionalmente voltado aos compactos. Além disso, há a grande barreira do baixo nível tecnológico dos carros, que torna os produtos nacionais pouco atrativos internacionalmente.


Assista à entrevista com Luiz Moan, presidente da Anfavea: