Entre 1999 e 2008 o Brasil teve uma balança comercial de veículos favorável, exportando mais do que importando. Desde 2009, no entanto, exportamos menos veículos do que importamos – apesar das ações protecionistas, como o aumento de 30 pontos porcentuais do IPI para os importados, que vigora desde o fim de 2011 para veículos fabricados fora do Mercosul e México, ou que ainda não aderiram ao programa Inovar-Auto. O gráfico abaixo ilustra a importação e exportação em unidades desde 1995.

A importação de veículos tem correlação importante com o câmbio, como se observa no gráfico abaixo. As importações atingiram um patamar mínimo em 2003 e 2004, quando o real estava bem desvalorizado, na faixa de R$ 3,00 por dólar americano.

Fazendo a mesma análise na parte de exportação, vemos que também há uma forte correlação entre a quantidade de veículos exportados com o câmbio. No gráfico que segue houve uma inversão no eixo do câmbio, para facilitar a visualização. Notamos neste caso que há uma defasagem entre o câmbio desvalorizar e o aumento das exportações. Isso é natural, pois contratos de exportação demoram a ser fechados.

A Volkswagen, General Motors, Renault, Ford e Fiat são as maiores exportadoras de veículos, representando 86% das exportações em 2012. Como se vê no gráfico abaixo a maioria dessas montadoras teve redução expressiva nas exportações.

Atualmente, as exportações de veículos brasileiros está bem concentrada para a Argentina, visto ser um mercado de troca onde o Brasil exporta modelos não produzidos lá e importa outros que não são feitos aqui.
Levando em conta diversos fatores, permanece a dúvida em relação à meta de exportação de 1 milhão de veículos em 2017, especialmente por causa da volatilidade da moeda brasileira. Como se viu aqui, o câmbio é um fator importante para determinar a viabilidade das vendas externas, mas esse é um fator considerado pelos economistas como dos mais difíceis de se prever. Basta ver o Relatório Focus do Banco Central, onde analistas projetavam em abril deste ano que a taxa no fim do ano estaria em R$ 2,00 por dólar e o relatório desta semana indica R$ 2,30.