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Metade das pessoas abandonaria o carro próprio por outra opção de transporte

Pesquisa do Instituto Parar com a Mindminers mostra que trabalhadores topariam ganhar menos para ficar mais perto de casa
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Redação AB

25 jul 2018

3 minutos de leitura

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As empresas dão menos atenção do que deveriam aos problemas de mobilidade de seus funcionários. Esta é uma das conclusões de pesquisa encomendada pelo Instituto Parar à Mindminers e realizada com pessoas de diferentes idades, classes sociais e regiões do Brasil. Com foco nos deslocamentos corporativos, o estudo levantou informações para entender como empregadores atuam no ecossistema de mobilidade e aferir o nível de satisfação dos funcionários em relação aos deslocamentos para trabalhar.


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O levantamento apontou que 53% das pessoas abandonariam o carro próprio se tivessem outras opções para ir e voltar do trabalho. Este movimento só não ganha força porque 55% dos participantes do estudo se declararam insatisfeitos com o transporte público e 58% confirmaram que têm medo de depender destes recursos para se deslocar – situação que se agrava nas regiões Norte e Nordeste.

Por outro lado, a maior parte dos respondentes não está familiarizada com novos conceitos de mobilidade compartilhada: 79% não conhecem carsharing. Fatia de 72% quase nunca pega carona para chegar ao trabalho. Por outro lado, 75% declararam que nunca usaram serviços de compartilhamento de carros, mas gostariam de experimentar.

Flávio Tavares, líder do Instituto Parar e diretor de marketing da GolSat Tecnologia, empresa que fundou a organização, destaca que a pesquisa mostrou que a mobilidade é um problema democrático, que atinge todo mundo. “Não importa para onde você vai ou de onde vem, a sua classe social. Do CEO das empresas a quem serve o café, todo mundo enfrenta dificuldade para se deslocar no trânsito pesado das cidades brasileiras”, diz.

MUITOS PREFEREM GANHAR MENOS A SE DESLOCAR MAIS

Segundo Tavares, um dos dados mais impressionantes da pesquisa é que grande parcela das pessoas prefeririam ganhar menos para reduzir a necessidade de perder tanto tempo em deslocamentos. Entre os participantes, 49% abririam mão de 10% do que ganham ou de alguns benefícios para trabalhar mais perto de casa. Já 44% confirmaram que topariam ganhar 20% menos se pudessem gerenciar o próprio tempo. A maioria investiria o tempo economizado no transporte em atividades com a família, lazer, estudo ou na prática de uma atividade física.

Chama a atenção, no entanto, o descompasso entre o interesse dos funcionários e os recursos oferecidos pelas empresas. Das organizações consultadas, 60% nunca demonstraram preocupação com o tempo de deslocamento dos colaboradores e 77% não oferecem qualquer opção de flexibilização da jornada ou home office. Apenas 5% das companhias dão aos funcionários crédito em aplicativos de mobilidade, como Uber e Cabify, e só 3% têm opção de trabalho remoto em coworking.

“As empresas precisam se conscientizar e despertar para esta discussão. Mobilidade é muito mais do que discutir modais. É sobre o tempo e a vida das pessoas. As companhias devem estar engajadas nisso como agentes de transformação”, conclui Tavares. O Instituto Parar vai discutir o tema durante o WTM 2018, evento que acontece em São Paulo entre 29 e 31 de outubro e contará com Automotive Business como parceiro de conteúdo.