
Segundo o diretor do sindicato, Guirá Borba de Godoy Guimarães, os trabalhadores demitidos eram responsáveis pela separação das autopeças e pela alimentação da linha de produção.
“Há cerca de um ano estamos negociando com a Chery a ‘desterceirização’, ou seja, a incorporação desses trabalhadores das áreas de logística e manuseio ao quadro de funcionários diretos da empresa. Por se tratarem de setores que exercem atividades fim dentro da empresa, esta terceirização é proibida pela lei trabalhista. Fomos pegos de surpresa com estas demissões, uma vez que já estava marcada uma reunião com a diretoria da fábrica na próxima terça-feira [1º] para debater este assunto”, afirma.
Por sua vez, a Chery, por meio de comunicado, ao lamentar a demissão informa que não tem responsabilidade sobre a decisão da BMS e que “nunca se comprometeu com o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos a contratar funcionários de empresas terceirizadas”.
“A Chery pretende iniciar em março a produção do New QQ, porém, com a possibilidade de greve por tempo indeterminado, a empresa teme que o cronograma tenha que ser atrasado”, admite a montadora acrescentando que a greve do ano passado (março/abril) também afetou a produção do Celer, único modelo produzido pela companhia até agora em Jacareí. Antes da greve, a unidade estava trabalhando com uma média de 25 unidades montadas por dia desde janeiro.
Para Guirá, “a intenção da greve é garantir o emprego desses pais de família e não de atrasar a produção e os planos da montadora”, reforça. “Demitir 40 funcionários em uma fábrica com mais de 1 mil empregados pode parecer pouco, proporcionalmente, mas esta situação em uma empresa nova e enxuta com 400 trabalhadores, dos quais metade é da produção, tem um efeito muito maior. Se a Chery quiser introduzir mais modelos na linha de produção, ela vai ter que admitir mais empregados e nada mais justo empregar quem já sabe fazer o trabalho. Deslocar funcionários que já são da produção para esta função sobrecarregaria estas pessoas, o que seria uma atitude cruel”.
Segundo o diretor do sindicato, a reunião com representantes da Chery está mantida para a próxima terça-feira, dia 1º, às 15h para discutir a questão da greve e dos funcionários terceirizados.