Segundo Carlos Caramelo, diretor do sindicato dos metalúrgicos do ABC, há cerca de um mês, os proprietários da Karmann Ghia iniciaram uma negociação com o Grupo Gitan Incorporação e Construção para a venda da fábrica. De acordo com ele, o grupo interessado já havia, inclusive, feito contato com o comitê sindical para debater as formas de quitar o passivo com os trabalhadores, o que inclui pagamento de salários e benefícios atrasados. Contudo, um impasse jurídico entre os atuais e antigos proprietários colocou a negociação em estado suspenso.
“Essa insegurança jurídica deixa os trabalhadores numa situação ainda mais difícil. Queremos saber quem vai pagar as dívidas para com os empregados, aqueles que viabilizaram a sustentação da fábrica até o momento”, ressalta Caramelo.
Ainda de acordo com o diretor sindical, atualmente são 320 trabalhadores na fabrica com salários atrasados e outros 260 já demitidos que não receberam suas indenizações quitadas. “Vamos permanecer acampados e pressionar para que haja uma solução”, destaca.
HISTÓRICO
A empresa vive histórico de dificuldades desde o início de 2014, período em que demitiu e atrasou os pagamentos tanto dos trabalhadores ativos como dos demitidos. A crise foi desencadeada no fim de 2013, quando a Volkswagen, então responsável por grande parte do faturamento da Karmann Ghia, anunciou o fim das linhas de Kombi e do Gol G4.
Em 2014, após o Grupo Nardini ter adquirido a companhia – que também pertenceu ao Grupo Brasil – o faturamento até se recuperou e embora a estimativa da Karmann era o de manter um bom desempenho até o fim de 2015, a crise no setor automotivo fez com que muitos pedidos fossem congelados, resultando em falta de recursos para honrar as dívidas.
Com isso, há quase um ano, em 26 de maio de 2015, a Karmann Ghia abriu falência na 8ª Vara de São Bernardo do Campo. À época, os valores devidos pela empresa não foram revelados.