
Em assembleia realizada na segunda-feira, 24, os metalúrgicos da fábrica da Scania em São Bernardo do Campo (SP) aprovaram a nova proposta da montadora e com isto encerraram a greve, que começou há uma semana, no dia 17. Contudo, será realizado um plebiscito para apurar os votos dos trabalhadores.
Em novo comunicado, o sindicato informa que “em função da vantagem apertada verificada na votação durante a assembleia será realizada nova consulta, na qual os trabalhadores votarão um a um, ao longo do dia, em urnas localizadas no interior da fábrica” diz a nota. “É uma forma de tirar qualquer dúvida que possa pairar sobre o resultado. Os companheiros vão registrar seus votos e assim teremos um quadro exato do que eles desejam”, afirma Carlos Caramelo, diretor executivo do sindicato e trabalhador na montadora.
Segundo o sindicato dos metalúrgicos do ABC, a negociação foi realizada durante todo o fim de semana entre os representantes da entidade e a da montadora. Após o término a assembleia, os trabalhadores retornaram ao trabalho. Os dias parados serão incluídos no banco de horas e embora a greve tenha durado cinco dias, serão incluídos apenas quatro.
No novo acordo apresentado no fim de semana, que valerá por dois anos, a empresa garante reajuste salarial de 5% retroativo a setembro, que é a data base da categoria, mais abono salarial de R$ 4 mil que será pago em janeiro de 2017, além da recomposição integral da inflação (INPC) a ser aplicada nos salários também no próximo ano.
Com relação à proposta anterior, cuja rejeição deu início à greve (leia aqui) houve de acréscimo a extensão do período de estabilidade por mais três meses, portanto, até dezembro de 2017, além da renovação dos contratos de trabalhadores temporários e a antecipação do 13º salário de 2017 para fevereiro. O acordo também prevê um adicional nos salários a ser aplicado em janeiro de 2018 e 2019, caso a produção anual atinja ou supere as 16 mil unidades somando caminhões e ônibus. O valor será de 0,5% nos salários a cada 1 unidades produzidas a mais.
Para Caramelo, com a aprovação do acordo, a montadora se comprometeu a manter os volumes de produção dedicados a exportações: “Esse é um dos pontos importantes: com a aprovação do acordo e o retorno ao trabalho ficam preservados os níveis de competitividade da planta brasileira, o que garante a capacidade de exportação a partir daqui”, afirma. “Mesmo após uma semana de movimento, a negociação continuava muito dura, não conseguimos quebrar a resistência da fábrica. Economicamente, a proposta não mudou muito, mas pudemos incluir questões que contemplam outras áreas de interesse do trabalhado”, reforça o secretário-geral do sindicato do ABC, Wagner Santana.