
Ainda de acordo com o sindicato, a pauta inclui também a revisão de cláusulas do acordo coletivo, referentes a alteração na tabela salarial, pagamento de PLR e congelamento de salários, além de serviços oferecidos ao trabalhador, como plano médico, transporte e alimentação. Na terça-feira, 10, quando os trabalhadores retornam ao trabalho, sindicato e montadora terão nova rodada de negociações.
“Nossa paralisação de hoje foi um alerta à direção. Queremos construir alternativas conjuntas, de forma responsável, mas os trabalhadores estão deixando claro que estão dispostos a lutar pela manutenção dos seus empregos e direitos”, declarou o presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Rafael Maques. “Nós concordamos em discutir a competitividade, como fazemos sempre com as montadoras sediadas aqui no ABC, mas nesse momento, entendemos que fazer isso é justamente continuar utilizando mecanismos como PPE e layoff”, acrescentou.
O dirigente relembrou que até 2013 o mercado automotivo brasileiro era um dos que mais crescia em todo mundo, o que possibilitou grandes ganhos às empresas. “Crescemos em ritmo chinês: de 2004 a 2015 as montadoras brasileiras remeteram US$ 24,5 bilhões às suas matrizes no exterior, o que ajudou no enfrentamento da crise dos EUA e da Europa. Agora esse fluxo se inverteu. As matrizes estão enviando recursos e as direções mundiais estão exigindo como contrapartida duros ajustes em suas fábricas brasileiras. Não podemos aceitar essa lógica e vamos lutar para reverter isso”, disse.
“A Ford é uma das montadoras que mais importam peças. Quando o dólar começou a inverter a tendência, abordamos esse assunto com a fábrica e sugerimos que ela montasse uma equipe para nacionalizar as peças, pois seria bom para a empresa e para o País. Isso não foi feito e, hoje, com o dólar alto, o custo das peças importadas pesa bastante. Além disso, a Ford não utiliza as ferramentarias brasileiras. O Inovar-Auto oferece vantagem fiscal para as empresas que desenvolvem o seu ferramental no Brasil e eles não souberam aproveitar. Há problemas sim no mercado brasileiro, mas há também problemas na direção da empresa no Brasil e no mundo. E o trabalhador não pode pagar por isso”, reforçou.
Na unidade do ABC, a Ford tem atualmente 3,8 mil trabalhadores, dos quais cerca de 3 mil estão cumprindo o PPE e 400 estão em layoff, com jornada reduzida em 20%.