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México cede à pressão dos EUA e não dará incentivos a marcas chinesas

Governo Biden teme que empresas se beneficiem de acordo de livre comércio para driblar impostos
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Vitor Matsubara

18 abr 2024

4 minutos de leitura

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O governo do México decidiu ceder à pressão dos Estados Unidos e não concederá incentivos às montadoras chinesas que decidirem investir no país. 

A informação foi revelada com exclusividade pela agência de notícias “Reuters”, citando três fontes ligadas ao governo mexicano. 

Durante encontro realizado com representantes da BYD (uma das empresas interessadas em fabricar veículos por lá) em janeiro, funcionários do alto escalão do governo afirmaram que não serão concedidos incentivos como os do passado, mesmo para as empresas que investirem no país.

Presença chinesa no México já é expressiva

O governo também decidiu suspender temporariamente a realização de novas reuniões com montadoras chinesas.

Procurado pela reportagem da Reuters, o gabinete do presidente mexicano, Manuel Lopez Obrador, não retornou. Já a assessoria do ministro da economia do país preferiu não se pronunciar.

Porta-vozes da BYD e da embaixada chinesa em solo mexicano também não retornaram os questionamentos.


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Recentemente, interlocutor do governo de Joe Biden, atual presidente dos Estados Unidos, garantiu que o governo não permitirá que as fabricantes chinesas invadam o mercado com carros que representem uma ameaça à segurança nacional.

Por volta de 20 fabricantes chinesas comercializam veículos no México, mas nenhuma delas possui fábrica no país. As empresas da China correspondem a um terço do segmento da indústria automotiva local.

Estados Unidos temem que invasão chinesa afete indústria

Fontes ligadas ao governo mexicano atribuem a decisão à pressão exercida pelo governo dos Estados Unidos, especialmente pelo gabinete de comércio exterior, como uma tentativa de manter os chineses longe do acordo de livre comércio estabelecido na América do Norte.

Embora não tenha admitido que o movimento seria uma tentativa de afastar os chineses, um representante do escritório de acordos comerciais dos EUA disse que o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (conhecido pela sigla USMCA) não foi concebido para “abrir uma porta de trás para a China e outros que desejam entrar no nosso mercado sem pagarem impostos”.

A intervenção do país escancara o temor da indústria local, sindicatos e autoridades de que as montadoras chinesas utilizem o México como porta de entrada para vender carros mais baratos nos Estados Unidos sem pagar os impostos de importação. A alíquota atual é de 27,5%.

Políticos cobram providências do governo

Enquanto isso, o México se vê em meio a um fogo cruzado entre as duas maiores economias. e mercados de automóveis. do mundo. 

Na quarta-feira, Katherine Tai, funcionária da Representação do Comércio dos Estados Unidos, alertou sobre a necessidade do país tomar providências enérgicas para proteger o segmento de carros elétricos da competição contra as marcas chinesas.

No mês passado, o senador republicano Marco Rubio propôs a cobrança de impostos muito mais altos sobre carros vindos da China. O discurso foi endossado por três senadores democratas de estados importantes para a indústria automotiva dos Estados Unidos. 

Índice de nacionalização é critério para driblar impostos

Para fugir do pagamento de impostos de importação, os bens precisam atender a um índice de nacionalização que varia de acordo com o produto e o setor da indústria. 

No caso dos automóveis, pelo menos 75% dos componentes essenciais de um veículo – como o motor ou a transmissão – precisam ser fabricados na região da América do Norte.

Apesar do cenário desfavorável, marcas chinesas como a BYD ainda pretendem erguer fábricas no México. Em fevereiro, a empresa afirmou que qualquer fábrica em solo mexicano seria construída apenas para abastecer o mercado local, sem pretensão de exportar para os EUA. O discurso foi obviamente recebido com desconfiança. 

BYD vai atrás de estados mexicanos

Uma das fontes ouvida pela Reuters disse que a BYD estaria atrás de incentivos estaduais, mesmo sendo menores do que os federais. Estados industrializados como Durango, Jalisco e Nuevo Leon estão dispostos a oferecer diversos incentivos para as fabricantes chinesas.

Em dezembro, o estado de Nuevo Leon aprovou US$ 153 milhões em incentivos para a construção de uma fábrica da Tesla. 

No passado, incentivos federais incluíram a concessão de terrenos, água e energia a custo zero, além de ajuda no recrutamento de funcionários. 

Em alguns casos, como o da Volkswagen na construção da fábrica da Audi, os benefícios foram ainda mais generosos.