O negócio marca a entrada da fabricante de pneus no mercado de rastreamento de veículos no Brasil, com a oportunidade de expandir a operação para outros países. A Sascar, cuja receita cresceu a um ritmo anual médio de 16% nos últimos três anos, deve injetar adicionais R$ 280 milhões – ou € 91 milhões – ao faturamento de € 1,5 bilhão da Michelin na América do Sul.
“A Michelin irá se beneficiar da base de clientes, das habilidades técnicas e do marketing construídos pela Sascar no mercado de telemática, que está em rápida expansão para frotas de caminhões e, assim, acelerar o desenvolvimento de serviços para seus clientes em todo o mundo. Isso nos ajudará a fortalecer uma área importante de crescimento para o grupo”, explica em nota o CEO do Grupo Michelin, Jean-Dominique Senard.
A compra abre oportunidades para ambas as envolvidas: enquanto a Sascar aproxima a Michelin da nova atividade, em expansão no País, a fabricante de pneus, por sua vez, oferecerá acesso e relacionamento com grandes transportadoras, fazendo com que seus 300 pontos de serviços dedicados ao atendimento de veículos comerciais possam se tornar postos de instalação de rastreadores. A Sascar gerencia atualmente uma frota de 190 mil caminhões, dos quais a maioria é formada por caminhoneiros autônomos e pequenos frotistas.
“A Sascar tem cerca de 18 mil clientes, mas menos de uma centena deles tem frotas com mais de 100 caminhões. Por outro lado, a Michelin tem um relacionamento excepcional com grandes transportadoras de carga e frotas de ônibus. No mínimo, teremos todos esses clientes da Michelin para oferecer nossos serviços”, afirmou Marcio Trigueiro, um dos sócios da GP e presidente da Sascar ao jornal Valor Econômico. O executivo continuará no cargo mesmo após a fabricante de pneus assumir a empresa.
Com conclusão prevista para três meses, a transação ainda será avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).