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Mini E define estratégia de eletrificação da BMW

O Mini E, versão elétrica do carrinho inglês, é o responsável por indicar ao Grupo BMW como avançar em eletrificação veicular. As conclusões de um estudo com 600 unidades do protótipo produzidas em 2008 são as bases para o lançamento da linha de modelos zero emissão i, que deve ser inaugurada no Brasil em 2014 com o hatchback i3.
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Giovanna Riato

17 jun 2012

5 minutos de leitura

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Com o levantamento, a empresa quis verificar como o veículo se comporta em diferentes regiões do mundo, submetido a diversas condições climáticas e hábitos de uso. Além disso, a pesquisa coletou dados importantes sobre as impressões e preferências dos consumidores. Para descobrir como atender melhor os desejos dos motoristas de carros elétricos, a BMW distribuiu os 600 carros de testes para clientes de seis países e acompanhou o uso das unidades por seis meses.

A análise envolveu desde questões técnicas até as impressões dos usuários do modelo. Com a ação, a BMW garante ter desenvolvido o maior estudo sobre carros elétricos já realizado, com 15 institutos de pesquisa envolvidos e mais de 16 milhões de quilômetros percorridos.

A pesquisa constatou que, em geral, o carro é capaz de atender mais de 80% das necessidades de mobilidade dos usuários. Apesar disso, muitas pessoas ainda optam por veículos maiores e gostariam de ter modelos com mais autonomia. O levantamento deixou evidente para a marca que a maior parte dos consumidores ainda não está disposta a abrir mão de conforto ou performance para ter um carro zero emissão.

MINI E

A companhia apresentou algumas das unidades produzidas para o estudo na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Além de incrementar o estande da marca no evento, o carro estava disponível para test drive no Autódromo de Jacarepaguá.

Mesmo elétrico, o modelo não foge da proposta de esportividade da marca. O motor do carrinho desenvolve até 200 cv de potência. Já o espaço interno ficou comprometido pelo conjunto de baterias de íons de lítio. As mais de cinco mil células de armazenamento de energia ocupam o espaço em que ficaria o banco de trás e o porta-malas.

A performance prova que é possível ousar na pista com um carro elétrico. O modelo mostra ainda que a BMW está disposta a convencer o consumidor de que ele não precisa abrir mão do prazer ao dirigir para ser sustentável. “Ninguém compra um carro para salvar o planeta. É uma decisão emocional e queremos atrair o interesse do consumidor”, explica Thomas Becker, vice-presidente de relações governamentais do Grupo.

Com o motor elétrico, o torque máximo é atingido instantaneamente e a resposta é imediata quando o pedal do acelerador é pressionado. Outro ponto positivo é a frenagem com sistema de recuperação de energia, que faz o carro parar assim que o condutor tira o pé do pedal. O mecanismo conserva os freios, que acabam sendo pouco utilizados. O silêncio característico dos veículos elétricos também é notado no carro, que não emite nenhum ruído quando o motorista dá a partida no motor. A versão elétrica do compacto só perde em velocidade máxima, reduzida para 152 quilômetros por hora.

Segundo a BMW, a autonomia do modelo fica em torno de 180 quilômetros, variando de acordo com o uso. O estudo realizado com as 600 unidades do Mini constatou que o número é mais do que suficiente para a maior parte dos moradores de cidades, que percorrem, em média, 40 quilômetros por dia. Apesar disso, os motoristas que participaram da pesquisa apontaram que gostariam que o carro tivesse autonomia superior a 200 quilômetros.

Em contrapartida, os pontos que mais gostaram no modelo zero emissão foi o silêncio e o fato de quase não precisarem usar os freios. “Constatamos que as pessoas querem um carro elétrico capaz de fazer exatamente as mesmas coisas que um modelo convencional faz”, avalia Josef Krems, professor de psicologia cognitiva da Universidade de Regensburg, responsável por conduzir a pesquisa para a BMW.

O estudo indicou ainda que a motivação das pessoas para investir em um automóvel elétrico varia muito em cada região. Nos Estados Unidos as pessoas afirmam que investiriam em um modelo com a tecnologia para que o país não dependesse mais de petróleo. Já na Europa o principal impulso para a compra é a preocupação com o meio ambiente. Na China os consumidores gostam do carro por seu pioneirismo e inovação.


FAMÍLIA DE ELÉTRICOS

As conclusões da pesquisa estão ajudando a BMW a formular os carros da família de elétricos i. Os engenheiros da companhia já trabalham em soluções para que os veículos não percam performance por causa das variações de temperatura da bateria em lugares extremamente quentes ou frios. Outra preocupação é evitar perda de espaço muito grande para armazenar eletricidade. No caso do hatchback i3, a solução deve ser instalar os módulos de armazenamento de energia na parte dianteira e inferior do carro.

O formato de comercialização do modelo ainda não está fechado, mas a bateria deve ser vendida junto com o carro. O esquema é diferente do que outras empresas estão adotando, como a Renault, com os modelos elétricos lançados na Europa, e a Volvo, com o ônibus híbrido produzido no Brasil, que optaram por alugar ou emprestar o componente para tornar os veículos mais competitivos. Segundo a BMW, a bateria representa cerca de 40% do custo total dos carros da linha i. Esse porcentual deve cair nos próximos anos com o aumento da demanda.

A fabricante alemã também planeja um formato para a logística reversa dos módulos de íons de lítio. Ainda não há testes conclusivos sobre a durabilidade do componente, mas a empresa já tem uma segunda aplicação para as baterias descartadas. Depois de remanufaturadas elas serão usadas nas fábricas da marca. A ideia é criar estações com as baterias, que armazenarão a energia captada por painéis solares para ser usada na unidade produtiva. A primeira planta a receber o projeto será a de Oxnard, em Los Angeles.