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Foto: George Gillespie, CEO da Mira.
Giovanna Riato, AB
A Mira, empresa britânica especializada em serviços de engenharia, prepara-se para firmar bases no mercado nacional. O CEO da companhia, George Gillespie, está no Brasil e, entre visitas a órgãos do governo e clientes potenciais, participou do Seminário UK and Brazil sobre negócios sustentáveis, realizado nesta terça-feira, em São Paulo.
Em encontro com a imprensa após o evento, o executivo destacou o vigor da economia nacional e apontou que a expansão do setor de transportes gera boas oportunidades. “O País vai precisar de um suporte técnico para este crescimento”, observa. A necessidade de evolução tecnológica é consequência da chegada de novos players, que vêm colher os frutos do mercado interno aquecido e estimulam a competição.
É este momento que a empresa quer aproveitar. As pretensões são grandes e, mesmo sem revelar o investimento, Gillespie afirma que o plano é para um centro de engenharia completo na região. No Inglaterra, a pista de testes da companhia é famosa pelos 95 quilômetros de extensão e por servir de palco para algumas das aventuras do programa de televisão Top Gear, da BBC.
Os primeiros passos no Brasil serão cautelosos. A operação começa em parceria com a MSX. “Estamos conhecendo o mercado, mas já há clientes que atendemos lá fora e estão nos procurando por aqui”, conta o chefe de operações.
A intenção da Mira é firmar estruturas globais em regiões-chave. Com operações na China, Índia, Coreia, Japão e Estados Unidos, só resta o Brasil para alcançar a meta. “Queremos trabalhar tanto pelo mercado local quanto para que o País seja competitivo internacionalmente”, defende.
A solução proposta pela empresa soa adequada para as montadoras instaladas na região, que correm para garantir competitividade. Ao contrário de outras fornecedoras de serviços de engenharia, a Mira não leva uma equipe para dentro da estrutura dos clientes mas traz projetos completos, desde o design até a homologação, para as suas próprias instalações. Com isso, as montadoras podem dispensar investimentos em estruturas grandes e pouco utilizadas, como pistas de testes.
O plano para o Brasil é de longo prazo. Armando Canales, que vai comandar a operação nacional, estima que serão necessários cerca de 10 anos para concluir a instalação de um amplo centro de desenvolvimento. “Inicialmente traremos engenheiros de fora mas a intenção é treinar profissionais localmente e firmar parcerias com universidades”, diz, já enxergando uma das dificuldades de jogar com as regras do mercado interno.
Avanço tecnológico
O CEO da Mira, George Gillespie, destaca que o transporte no Brasil tem que evoluir em três frentes: desenvolvimento do veículo, das fontes de energia e da infraestrutura viária. Estes pontos precisam avançar sem perder de vista a viabilidade comercial e aceitação do consumidor. “Este é o desafio do transporte verde”, acredita. O executivo destaca que é mais viável pensar em pequenas mudanças graduais, que serão adotadas em massa, como motores e combustíveis mais limpos, do que em extremos pouco utilizados, como um carro totalmente elétrico.
