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Mirando estradas e ferrovias europeias

A gasolina é cara em Portugal. Desembolsei € 1,554 por litro em um posto de serviço próximo a Lisboa, ao longo da autoestrada A2. O custo do pedágio para cerca de 350 km foi de € 18, amplamente compensado pela impecável qualidade e sinalização das pistas. Ao longo da viagem é inevitável uma comparação entre os serviços de transporte no Brasil e países europeus, como Espanha e Portugal.
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Redação AB

26 dez 2010

3 minutos de leitura

No caso das rodovias perdemos de goleada. O que dizer, então, de metrôs e das ferrovias? A estação de Atocha, a principal de Madri, oferece trens de alta velocidade para várias regiões do país, com incrível pontualidade. Os trens são novos, com cinema a bordo. Nas estações é possível comprar bilhetes antecipados e até mesmo para trechos em outros países, graças à integração das linhas europeias. Uma nova linha completa, ligando Madri a Valência, acaba de ser inaugurada e Atocha acaba de abrir novas instalações para receber seus passageiros.

Enquanto a economia europeia dá sinais de derrapar, colocando sob suspeita a saúde financeira de Espanha e Portugal, o Brasil fecha 2010 com um avanço do PIB da ordem de 7,5%, mas com um saldo decepcionante das realizações na área de transporte. Um dos sinais foi o leilão do trem bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, que gorou depois de diversas manobras para ser fechado a toque de caixa, ainda dentro do governo Lula.

As expectativas para a mobilidade no futuro próximo e durante a Copa do Mundo são as piores possíveis, prevendo-se um enorme desperdício de esforços objetivos e dinheiro, em soluções provisórias e de última hora.

A decadência no trem no Brasil foi acelerada, terminando com moribundas marias-fumaças e trens decadentes puxados pelas locomotivas diesel-elétricas. Nos anos 60 havia ainda em operação algumas linhas de trens de passageiros no interior do Estado de São Paulo. Lembro-me de dias agitados nas estações em Bebedouro, onde o trem-de-aço era esperado com ansiedade pela manhã, trazendo jornais e produtos da capital. Nas cidades atendidas pela antiga Paulista, conhecida pela pontualidade e bons serviços na época, era possível até mesmo acertar o relógio pelo apito do trem na estação.

A matriz de transporte brasileira, que acaba de ser revisada, promete reviver os bons tempos das ferrovias, mas é duro acreditar nisso até mesmo no que diz respeito ao segmento de transporte de cargas, que ganhou algum alento.

Entrego dia 30 de dezembro, em San Sebastian, norte da Espanha, o Focus alugado da Hertz em Sevilha para retomar o trem em direção a Paris. Depois do Ano Novo estarei em Londres, tomando o Eurotrem. De lá para o Brasil, dois obstáculos – a neve que inferniza a vida de muitos países europeus e a expectativa de greve dos aeroviários no Brasil, mais uma evidência da incompetência nacional em encarar com seriedade também as deficiências do transporte aéreo.

Os espanhóis, em especial, dão o show no campo de futebol tão bem como em estradas e ferrovias. À véspera da Copa do Mundo, estamos próximos de um vexame geral.