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Mistérios da fusão Porsche-VW

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cria

02 mar 2011

3 minutos de leitura

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Fernando Calmon, especial para AB
De Genebra

Aparentemente tudo se encaminha para que a Volkswagen inclua a Porsche como décima marca do amplo portfolio do maior grupo automobilístico europeu, hoje terceiro do mundo (atrás de Toyota e GM) e com ambições oficiais de se tornar a número um até 2018.

Na véspera de abertura à imprensa do Salão de Genebra, na segunda-feira, 28, à noite, a Volkswagen promoveu um show reservado, este ano chamado de O Espírito das Marcas, como faz em outros salões internacionais realizados na Europa. Não passou despercebido a colocação do emblema Porsche no grande quadro de marcas do Grupo Volkswagen, em background, e em posição absolutamente secundária. Isso ainda não havia ocorrido, até Genebra.

Soou meio estranho porque a holding controladora do Grupo Volkswagen ainda é a Porsche SE. A versão oficial é de que tudo está acertado para incorporação total da Porsche. Aconteceria “no máximo até 2012”, depois de uma tentativa frustrada pela crise financeira de 2008, quando o fabricante de Stuttgart chegou a adquirir 75% das ações da empresa de Wolfsburg em bolsa de valores. Hoje ainda possui 51%.

Estranho nessa história é uma notícia publicada na edição europeia do Wall Street Journal (WSJ), na sexta-feira, 25. Segundo o jornal, fontes não identificadas da Porsche teriam declarado que “os sucessivos e substanciais atrasos nos planos de fusão, poderiam resultar em abandono dessa operação entre Volkswagen e Porsche SE, atual holding controladora das duas marcas”.

A realidade é que a fusão ocorreu na prática e está indo muito bem – pelos movimentos já anunciados. Porém, se a empresa se chamará VW-Porsche, Porsche-VW ou somente Grupo VW é o capítulo final de uma novela que se arrasta por mais de dois anos com implicações fiscais e até mesmo jurídicas. Na semana passada, os promotores de Stuttgart anunciaram que desistiram de uma das duas acusações contra dois ex-executivos da Porsche, Wiedeking e Haerter, mas que “as investigações continuam”.

Wideking declarou ao WSJ que “estava muito feliz que a primeira acusação foi descartada e que aguardava com paciência que o mesmo ocorresse com a segunda acusação”.