
A Mitsubishi Motors suspendeu seus negócios no mercado chinês por tempo indeterminado. Após um período de vendas em queda iniciado em 2020, a montadora decidiu encerrar as operações e demitir funcionários em um mercado que substitui veículos a combustão por elétricos de forma acelerada.
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A japonesa informa que essa transição para os elétricos reduziu a procura por seus modelos além do que imaginava, de acordo com comunicado da empresa divulgado em 12 de julho nas mídias sociais chinesas.
“A direção e os acionistas fizeram o que podiam nos últimos meses, mas, em razão das condições de mercado, devemos agora nos concentrar em fazer a transição para veículos com fontes alternativas de energia. A empresa ressuscitará depois de passar por provações e adversidades”, disse o memorando.
A Guangzhou Automobile Group, parceira local da Mitsubishi, confirmou o conteúdo do memorando. Ambas disseram que todas as partes interessadas estão trabalhando para reduzir o impacto das demissões e garantir o amparo legal aos funcionários afetados.
O fracasso da Mitsubishi na China reflete a pressão enfrentada por outras montadoras japonesas, que demoraram a oferecer modelos elétricos e perdem participação de mercado para novos concorrentes como a Tesla há pelo menos dois anos; as vendas da Toyota em 2022 caíram pela primeira vez em uma década.
A decisão da Mitsubishi também decorre da suspensão da produção na fábrica de Changsha, na província de Hunan, em março. Em maio, diante das especulações sobre o futuro local da montadora, o CEO Takao Kato afirmou que a empresa tentaria superar as dificuldades na China.
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Em 2019, a Mitsubishi vendeu 134,5 mil unidades no mercado chinês. Em 2022 foram 34,5 mil unidades. O total registrado em janeiro de 2023 foi de apenas 1,5 mil veículos. A Mitsubishi vendia na China uma versão elétrica do modelo Airtrek, mas o SUV somou apenas 515 unidades em todo o ano passado.
Em março, a fabricante japonesa anunciou um plano global para eletrificar 100% de seus carros até 2035. A empresa pretende investir 1,8 trilhão de ienes (US$ 13 bilhões) em eletrificação até 2030.