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Momento de teste para algumas virtudes

Depois de registrar recordes de vendas em 2008, a indústria automobilística entra em baixo astral, acentuado pela queda de confiança nos rumos na economia, falta de horizonte claro para organizar a produção e notícias pouco alentadoras. Decisões preventivas como a tomada pela Renault ontem, 6, suspendendo o contrato de trabalho de mil empregados, e as dispensas que pipocam entre fornecedores de autopeças, provocam reação em cadeia e um tsunami na cadeia de suprimentos. Afinal, se os resultados financeiros de 2008 foram tão positivos, na soma do ano, por que antecipar uma redução drástica no nível de atividade? – perguntam os sindicatos dos trabalhadores. Preocupados com um aperto no freio, depois de um alívio no acelerador das linhas de montagem, as entidades de trabalhadores no setor automotivo tentam evitar o alastramento das demissões e preparam-se para uma verdadeira guerra. Será preciso neste momento determinação do governo e dos dirigentes do setor automotivo para evitar a desarticulação não apenas da produção, mas também do emprego. Engenheiros e técnicos vão virar suco novamente, depois de todo estímulo à sua formação e qualificação? Cabe às empresas uma reflexão sobre seu papel para evitar a catástrofe em cascata. Parte dos resultados altamente positivos contabilizados nos meses recentes não pode ser destinada a preservar as estruturas e o emprego, nesta fase decisiva? O presidente da MWM International, Waldey Sanchez, alertou recentemente que as empresas devem enfrentar o atual momento econômico com criatividade. E que projetos sociais não podem sofrer cortes, do contrário a crise pode ser ainda pior deste ponto em diante. Certamente, isso inclui também atenção especial ao emprego e à determinação de manter abertas as portas para a indispensável retomada do crescimento.
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Redação AB

07 jan 2009

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