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Monetização das telas automotivas: como a LogiGo quer liderar a nova fronteira de receitas

A digitalização do veículo abre um novo campo de receitas contínuas, e a LogiGo desponta como uma das protagonistas na corrida pela monetização das centrais multimídia
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Redação AB

15 dez 2025

5 minutos de leitura

O carro conectado não é apenas um meio de transporte: ele se tornou uma plataforma de serviços que beneficia motoristas e montadoras ao mesmo tempo. Para o usuário, isso significa receber informações e ofertas úteis em tempo real. Para as fabricantes, representa a oportunidade de transformar cada tela do veículo em um ativo capaz de gerar receita contínua, algo especialmente relevante em um setor com margens cada vez mais apertadas.

A digitalização do automóvel está abrindo um campo de negócios que vai além da venda do veículo e das tradicionais receitas de pós-venda. À medida que as centrais multimídia se transformam no principal ponto de interação entre motorista e carro, montadoras começam a enxergar novas oportunidades de monetização. Essa nova geração de receitas, baseadas em dados e serviços conectados, tem potencial para superar até os ganhos obtidos com a própria venda do veículo.

A LogiGo, fabricante brasileira de hardware e software automotivo, tem acelerado essa transição. Com uma plataforma própria de infotainment, desenvolvida de ponta a ponta, a empresa aposta na convergência entre tecnologia embarcada, inteligência artificial e integrações avançadas para inaugurar uma nova era de serviços automotivos.

Infotainment: o que é e por que se tornou estratégico

Infotainment é a combinação de informação e entretenimento dentro do veículo. O termo se refere aos sistemas que reúnem navegação, conectividade, música, aplicativos, assistentes de voz, funções do carro e, cada vez mais, serviços personalizados.

Esses sistemas deixaram de ser apenas centrais multimídia. Hoje, funcionam como uma plataforma digital completa, conectada ao usuário e ao ambiente ao redor. Para a LogiGo, o infotainment é o “cérebro do veículo”, capaz de suportar modelos de negócio baseados em dados, integrações e recorrência.

Telas que deixam de ser custo e viram ativo estratégico

A discussão sobre monetização de telas não é nova no setor de tecnologia, mas ganha força no automotivo conforme cresce a conectividade embarcada. Segundo a Logigo, todas as telas do veículo, da central multimídia ao painel digital, podem se transformar em ativos de alto valor.

A lógica é simples: se o cliente já utiliza esses displays todos os dias para navegação, música e ajustes do veículo, por que não permitir que ele receba ofertas e serviços relevantes durante sua jornada?

A empresa defende que esse tipo de monetização só faz sentido quando é agradável para o usuário, sem interferir na condução e oferecendo benefícios claros.

Um exemplo citado com frequência é o envio de cupons de desconto de lojas ou restaurantes na região por onde o motorista trafega. A oferta aparece na tela, o cliente aceita, e o trajeto é automaticamente enviado para o Waze ou Google Maps, aplicativos que ele já utiliza, sem necessidade de baixar outros aplicativos ou aprender a usar novas ferramentas.

Novos modelos de negócio ganham força

O avanço dos serviços conectados cria um terreno fértil para formatos de publicidade e parcerias comerciais. Redes de varejo, restaurantes, oficinas e provedores de serviços locais já demonstram interesse em aparecer diretamente na central multimídia.

A razão é clara: nenhuma outra plataforma oferece dados tão precisos e contextualizados quanto o veículo. Além da localização exata, é possível entender por onde o usuário passou, por quanto tempo permaneceu em cada região e em quais horários transita. Assim, em vez de publicidade genérica, montadoras podem oferecer em tempo real oportunidades baseadas no comportamento de deslocamento do motorista.

Com esse nível de assertividade, empresas estão dispostas a pagar para ter sua oferta exibida no momento certo. Para as montadoras, o modelo abre espaço para acordos de revenue share: cada compra gerada a partir da central multimídia pode render uma parcela da transação.

A Logigo afirma que, considerando o cenário atual de margens apertadas, essa monetização pode se tornar mais lucrativa que a venda de peças ou até do próprio carro. Para apoiar esse ecossistema, a empresa oferece o Painel da Montadora, um dashboard onde fabricantes acompanham o comportamento da frota conectada, desempenho de campanhas, dados de experiência do usuário, segmentação geográfica e, em breve, receitas geradas por serviços embarcados.

Plataforma técnica preparada para escalar

Para sustentar essa estratégia, o software embarcado precisa estar em atualização permanente, tanto para corrigir vulnerabilidades quanto para adicionar novos serviços. Esse é um dos pilares do modelo da Logigo, que reúne na mesma plataforma a fabricação das centrais multimídia e o desenvolvimento da camada de software responsável pela operação comercial.

A LogiGo desenvolve centrais multimídia com conteúdo local superior a 60% e preparadas para padrões globais de segurança como Autosar. A solução também contempla telemática, câmeras, sensores e integrações diretas com sistemas do veículo.

A plataforma da empresa, desenvolvida com sistemas operacionais como Linux e Android Automotive, utiliza arquitetura modular em microserviços e permite atualizações remotas via OTA. Ela já integra aplicativos, cupons, pagamentos embarcados e comandos de voz por meio da LIA, assistente inteligente criada pela LogiGo com tecnologias Google e IBM.

A empresa também inclui recursos como manual cognitivo por voz, ofertas personalizadas, comunicação direta entre montadora e motorista e serviços digitais que ampliam a jornada do usuário.

Para o motorista, o funcionamento permanece simples e intuitivo. Os serviços aparecem de forma natural na tela, enquanto a jornada continua ancorada em aplicativos já conhecidos, como Waze, Google Maps, Android Auto ou Apple CarPlay.

Monetização das telas se consolida como tendência inevitável

Embora parte da indústria ainda veja a monetização como uma agenda de médio prazo, o mercado avança rapidamente. O carro conectado se afirma como uma plataforma de serviços, e as montadoras que não explorarem esse potencial tendem a perder espaço em um setor cada vez mais pressionado por margens estreitas.

A LogiGo considera que esse movimento é irreversível. Em sua avaliação, montadoras que não monetizam suas telas estão deixando dinheiro na mesa. Em um momento em que a recorrência ganha importância estratégica, o infotainment se apresenta como uma nova fronteira de rentabilidade para toda a cadeia automotiva.